
Maputo, 30 set 2022 (Lusa) – A Renamo, principal partido da oposição moçambicana, considerou hoje que o reforço do poder dentro da Frelimo pelo seu presidente e chefe de Estado, Filipe Nyusi, pode aguçar o “apetite” por um “terceiro mandato inconstitucional” na Presidência da República.
O cenário de Filipe Nyusi concorrer a um terceiro mandato na chefia do Estado “já deixou de ser um apetite”, passou a “pura vontade”, disse à Lusa o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), José Manteigas.
Nyusi foi eleito para um novo mandato na liderança do partido no poder em Moçambique, com 100% de votos, e conseguiu fazer eleger vários membros do seu Governo para o comité central, comissão polÃtica e secretariado-geral da organização, no congresso que decorreu entre os dias 23 e 27, consolidando o controlo da força polÃtica.
Para José Manteigas, a vitória esmagadora de Nyusi é um caminho para o “reforço da ditadura”, numa alusão ao ambiente com que a Renamo considera estarem a ser ameaçadas liberdades, e cria a tentação por um terceiro mandato, que seria viabilizado através de uma “mudança constitucional ilegal”.
“Esta posição assumida pelos membros da Frelimo [de recondução de Filipe Nyusi, com 100% de votos] institucionaliza a ditadura no paÃs, está a trazer ou a reforçar a ditadura já existente no paÃs”, enfatizou Manteigas.
O porta-voz do principal partido da oposição considerou que a liderança incontestada de Nyusi na Frelimo pode levar a uma “inclinação” para impor o autoritarismo no Estado.
Observou que o Presidente da República tem-se aproximado de lÃderes africanos que governam os seus paÃses há mais de 20 anos e que são acusados de serem autocratas, nomeadamente os seus homólogos do Ruanda, Paul Kagame, e do Uganda, Yoweri Museveni, provocando preocupações no seio da sociedade moçambicana, alegou o dirigente da Renamo.
“Há um ditado que diz: ‘Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem tu és'”, acrescentou.
O facto de a comissão polÃtica da Frelimo ter repudiado um militante do partido que criticou a ideia de um terceiro mandato de Filipe Nyusi na Presidência da República também é motivo de inquietação em relação ao “comportamento” do partido no poder, prosseguiu José Manteigas.
O porta-voz da Renamo criticou ainda o lÃder da Frelimo por ter insistido na necessidade de uma reflexão sobre a realização das primeiras eleições distritais no paÃs.
Manteigas insistiu na posição do principal partido da oposição de que o escrutÃnio deve avançar em 2024, porque está previsto na Constituição.
“A Constituição da República é a lei fundamental do paÃs e não é negociável. Não está lá na lei fundamental do paÃs que deve haver uma reflexão”, enfatizou.
O porta-voz da Renamo acusou Filipe Nyusi de “desonestidade intelectual”, por ter feito uma avaliação positiva da governação da Frelimo no congresso.
“Trata-se de desonestidade intelectual, porque nenhum setor de governação tem uma prestação de 50%, no mÃnimo”, concluiu.
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