
Praia, 15 ago 2025 (Lusa) — O maior partido da oposição cabo-verdiana (PAICV) pediu hoje mais coordenação na resposta à s cheias na ilha de São Vicente, que causaram nove mortos, no dia em que lançou uma campanha de apoio à s populações afetadas.
“A normalização da distribuição de energia elétrica e, sobretudo, o restabelecimento do fornecimento de água potável constituem os desafios mais urgentes. Igualmente prioritário é o devido acolhimento das famÃlias desalojadas e daquelas que viram os seus meios de subsistência destruÃdos”, afirmou o secretário-geral do partido, Vladimir Silves Ferreira, numa conferência de imprensa na cidade da Praia.
Segundo o dirigente, depois de uma reunião extraordinária da Comissão PolÃtica do partido, decidiram recolher mantimentos e outros bens essenciais na sede nacional do PAICV, na cidade da Praia, estando a ser definidos pontos de recolha noutras ilhas e municÃpios.
Vladimir Silves Ferreira destacou o “espÃrito de junta mão” que, disse, tem unido cabo-verdianos no paÃs e na diáspora para acudir à população afetada, enaltecendo também o gesto de várias câmaras municipais que cancelaram atividades festivas e se prontificaram a prestar apoio financeiro e material.
O secretário-geral do PAICV elogiou ainda sinais de solidariedade já manifestados por parceiros internacionais e defendeu a criação urgente de uma estrutura de articulação eficiente entre o poder público, proteção civil e sociedade para garantir que a ajuda chegue a quem mais necessita.
Alertando para previsões meteorológicas adversas e para o risco crescente de eventos extremos devido à s alterações climáticas, defendeu medidas como a aplicação rigorosa dos instrumentos de planeamento urbanÃstico, a instalação de sistemas de alerta precoce e ações de sensibilização pública para prevenção e mitigação de futuros desastres.
As cheias de segunda-feira provocaram nove mortos em São Vicente e uma mulher continua desaparecida, com destruição de casas, estradas e pontes, deixando bairros inundados e condicionando o abastecimento de água e energia.
O Governo cabo-verdiano declarou situação de calamidade por seis meses em São Vicente, Porto Novo (Santo Antão) e nos dois concelhos de São Nicolau.
A Câmara Municipal de São Vicente começou a entregar subsÃdios à s famÃlias das vÃtimas mortais e prepara apoios para desalojados.
PaÃses como Timor-Leste, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e PrÃncipe já manifestaram solidariedade para com Cabo Verde.
O navio da Marinha portuguesa atracou hoje em São Vicente com 56 militares, que vão apoiar na remoção de escombros e, com uma dessalinizadora a bordo para fornecer água ao hospital da ilha, afetada pelas cheias que causaram nove mortos.
Conta com drones para recolha de imagens aéreas em zonas de difÃcil acesso, mergulhadores e equipas preparadas para apoiar a população, além de capacidade hidrográfica caso seja solicitada pelas autoridades cabo-verdianas.
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