
Sintra, Lisboa, 07 mai 2026 (Lusa) – Cerca de 50 condutores de veÃculos de animação turÃstica, entre jipes, ‘tuk-tuk’ e carros adaptados concentraram-se hoje junto à Câmara de Sintra para contestar as restrições à circulação destas viaturas, anunciando que vão avançar com uma providência cautelar.
Esta ação de protesto, promovida pela Associação Nacional de Condutores de Animação TurÃstica (ANCAT), é a segunda que acontece na vila de Sintra, desde que entraram em vigor, a 01 de abril, as alterações à s regras de estacionamento.
Pelas 17:00, cerca de 50 operadores turÃsticos concentram-se junto ao edifÃcio dos Paços do Concelho  de Sintra, no distrito de Lisboa, para criticar a falta de diálogo por parte da autarquia e manifestar a sua apreensão relativamente ao futuro da atividade.
“Nós queremos diálogo e encontrar soluções em conjunto. Parece que a única entidade oficial com quem não existe diálogo é mesmo a Câmara Municipal [de Sintra]”, afirmou à Lusa Inês Henriques, secretária da ANCAT.
A dirigente criticou  o aumento das taxas de estacionamento para operadores turÃsticos e o encerramento de vias de acesso a monumentos como a Quinta da Regaleira, Monserrate e Seteais, considerando que as medidas visam atribuir exclusividade de circulação turÃstica a uma única operadora de transporte coletivo
Segundo Inês Henrique, a associação apresentou participações junto da Procuradoria-Geral da República e da PolÃcia Judiciária e vai avançar com uma providência cautelar para contestar as restrições.
Também outros operadores turÃsticos, ouvidos pela Lusa, manifestaram o seu descontentamento e apreensão relativamente ao futuro do turismo em Sintra e da atividade de animação.
“Estamos completamente sem informação nenhuma quanto ao futuro do nosso trabalho aqui em Sintra. Não consigo compreender é que as normas não sejam claras e que uma forma de trabalho que é feita há anos em Sintra, de repente, seja alterada”, lamentou Alexandra Madeira, guia turÃstica há 12 anos na região de Lisboa.
Segundo a profissional, as restrições impostas pela autarquia colocam em causa compromissos assumidos com clientes, agências e parceiros, bem como investimentos realizados na manutenção de viaturas e seguros, referindo ter cerca de 50 marcações até outubro cuja realização está agora em dúvida.
“Tem que haver uma forma de trabalho legal e organizada. O que não se compreende é que retirem o trabalho a toda uma classe de um momento para o outro”, sustentou.
Também presente no protesto, o animador turÃstico VÃtor Santos considerou que as medidas podem “afetar radicalmente” centenas de empresas e milhares de trabalhadores dependentes do setor.
“O monopólio acabará com a atividade turÃstica. Sintra não pode ser de uma empresa privada. Tem de continuar a ser de todas as empresas que aqui operam”, afirmou.
O operador alertou para o impacto das restrições sobre residentes, alegando que algumas vias tradicionalmente utilizadas pela população local estão agora condicionadas.
“Há muitos turistas que vêm a Sintra não para um monopólio de um autocarro, mas sim para terem a experiência de uma visita guiada. A experiência não só de Sintra e dos seus monumentos históricos, mas também da natureza e da sua costa”, sublinhou.
Os manifestantes garantiram que privilegiam o diálogo institucional, mas admitem novas ações de protesto caso não sejam recebidos pela autarquia.
Contactada pela Lusa para comentar este protesto dos operadores de animação turÃstica, fonte da Câmara Municipal de Sintra disse apenas que as regras “são para cumprir”.
“A Câmara de Sintra coloca a defesa dos Sintrenses, de quem aqui trabalha e visita acima de tudo. Há regras e elas são para cumprir”, afirmou fonte oficial do executivo municipal liderado pelo social-democrata Marco Almeida.
As alterações, aprovadas pela Câmara Municipal de Sintra em 10 de março, acabaram com as zonas de estacionamento exclusivo destinadas aos veÃculos de animação turÃstica de até nove lugares e com o regime associado de sinalização e condicionamento do estacionamento.
Em contrapartida, a empresa municipal responsável pelo estacionamento no concelho de Sintra (EMES), no distrito de Lisboa, compromete-se a disponibilizar aos operadores que atuam na vila, no âmbito do Registo Nacional dos Agentes de Animação TurÃstica (RNAAT), avenças mensais de 100 euros, permitindo a utilização de todas as zonas de estacionamento de duração limitada e do parque de estacionamento João de Deus.
A ANCAT denuncia a contraproposta com o que considera ser a extorsão dos condutores de animação turÃstica em relação aos demais comerciantes de Sintra.
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