
Maputo, 23 jun 2026 (Lusa) — As três operadoras de telecomunicações móveis moçambicanas pediram hoje soluções inovadoras, preços estáveis e redução de taxas de importações para melhores investimentos e garantia de fornecimento de serviços nas zonas rurais face a desafios de acessibilidade.
“Temos um desafio de acessibilidade, mas precisamos de soluções inovadoras (…). Para implementar essas soluções, precisamos de um ambiente de preços estáveis que permitam investimento”, disse Simon Katikari, diretor-executivo da Vodacom, empresa privada de telefonia móvel em Moçambique.
O responsável falava hoje, em Maputo, na quinta Conferência Nacional das Comunicações, participando como orador no quinto painel subordinado ao tema “Tarifas dos Serviços de Comunicações e Dinâmica Concorrencial no Mercado”.
O representante apontou entre os desafios do setor das comunicações os preços elevados que prejudicam a sustentabilidade das empresas, sobretudo das telefonias móveis, pedindo ao regulador medidas para garantir equilÃbrio entre a acessibilidade e o investimento.
“Precisamos de uma estrutura e disciplina de preços que permitam investimento sustentável. E aqui, por vezes, o regulador tem um papel importante — como um árbitro — para intervir e organizar o mercado, criando condições para um setor sustentável e atraente para investidores”, frisou Simon Katikari.
O diretor-executivo recordou ainda que as autoridades autorizaram, recentemente, a partilha de infraestruturas, com os serviços de ‘roaming’, entre as empresas de telecomunicações, destacando avanços nessa medida, que considera importante implementar “de forma mais ampla e comercial, para reduzir custos e melhorar os serviços”.
Segundo Katikari, os equipamentos e dispositivos usados pelas empresas são totalmente importados de vários pontos do mundo, tornando “insustentável” garantir a disponibilidade de serviços no paÃs.
“Os custos são superiores à s receitas ou aquilo que estamos a vender é significativamente barato. Quando isto acontece durante muito tempo, verá que a qualidade da rede se deteriora, haverá cada vez menos investimento em conectividade futura e, eventualmente, o serviço também se degradará”, alertou o diretor-executivo, referindo que as empresas poderão encerrar as atividades caso os desafios, agravados pela crise de combustÃveis, persistam.
Já o presidente do Conselho Executivo da estatal TMCEL, Muhammed Mussa, pediu a criação de condições para assegurar redução de preços nos serviços de comunicação, alinhando as polÃticas de mercado grossista à realidade nacional.
Segundo o representante da TMCEL, os serviços de rede em ‘roaming’ já em curso desde maio de 2026, estão ajudar a expandir a cobertura nacional, mas considera importante alavancar esse aspeto, além do reforço da previsibilidade regulatória, a implementação de polÃticas “mais eficazes” de inclusão digital sustentável, a promoção da inovação, que pode ser baseada na qualidade de procura de serviços digitais.
O administrador da empresa privada Movitel, Francisco Chate, propôs a criação de polÃtica tarifária para garantir um retorno à s operadoras face aos desafios, reduzindo-se também as taxas de importação para criar equilÃbrio e acesso de serviços nas zonas remotas.
“[Quanto à s reformas] vou dar prioridade à s zonas remotas, a redução das taxas, não um perÃodo muito longo, mas num perÃodo mais curto, para que possamos recuperar o investimento a médio prazo e também a questão da redução das taxas de proteção e absolutamente no setor de comunicações”, apontou o administrador da Movitel.
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