
Rio de Janeiro, Brasil, 22 jul 2022 (Lusa) — Pelo menos 18 pessoas, incluindo uma moradora, morreram na quinta-feira durante uma operação policial contra o crime organizado no Complexo do Alemão, uma favela do Rio de Janeiro, no Brasil.
O anterior balanço apontava para quatro vÃtimas mortais.
Das 18 pessoas mortas, 16 são suspeitas de pertencer a fações criminosas, uma era moradora da favela e a última um agente da força de segurança de 38 anos, disse um porta-voz da polÃcia, numa conferência de imprensa.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil disse à agência de notÃcias France-Presse ter recebido informações sobre um total de 20 mortos, incluindo o agente da polÃcia e a moradora.
O coronel Rogério Lobasso, responsável da PolÃcia Militar do Estado do Rio de Janeiro pela operação, lamentou a morte da moradora, LetÃcia Marinho de Sales, de 50 anos e disse que o caso está a ser investigado. “Não sabemos como isso aconteceu”, admitiu.
Denilson Glória, que se identificou como namorado da moradora, disse ao ‘site’ de notÃcias G1 que a polÃcia disparou sobre o automóvel em que o casal circulava.
“Tinha um [agente] policial no sinal vermelho, nós parámos. Mas eles ainda atiraram no carro. Eu só a vi cair de lado. Quando eu olhei para ela, tinha um buraco no peito”, disse o homem.
O Presidente brasileiro Jair Bolsonaro lamentou a morte do agente Bruno de Paula Costa, sem citar os outros falecidos.
“Ele morreu após um confronto com bandidos”, disse o chefe de Estado nas redes sociais, criticando ainda o que chamou de dificuldades legais encontradas pelas forças de seguranças para realizar operações nas favelas.
Cerca de 400 membros das forças de segurança participaram na operação, com vários veÃculos blindados e quatro aeronaves, numa extensa favela, para enfrentar um grupo especializado no roubo de veÃculos de transporte de mercadorias e dinheiro.
Vários moradores disseram à imprensa brasileira que as suas casas foram invadidas por agentes durante a operação policial.
VÃdeos colocados nas redes sociais mostram uma intensa troca de tiros entre as forças de segurança e os alegados criminosos, incluindo disparos contra um helicóptero da polÃcia.
As autoridades disseram que os agentes foram “atacados violentamente”, com táticas “militares e de guerrilha”, durante a operação e acusaram alguns suspeitos de usarem civis como escudos humanos.
Esta é a segunda operação policial com um grande número de mortos numa favela do Rio de Janeiro, depois de uma operação em maio, na favela Vila Cruzeiro, ter matado 25 pessoas, incluindo 23 suspeitos.
O estado do Rio de Janeiro apresentou em março um plano para evitar operações com um elevado número de mortes, respondendo a uma ordem do Supremo Tribunal Federal do Brasil.
Mas organizações de direitos humanos, que muitas vezes denunciam supostas execuções extrajudiciais durante este tipo de operações, consideraram o documento demasiado vago.
Em 2021, 1.356 pessoas foram mortas pelas forças policiais no estado do Rio de Janeiro, o maior número de mortos e feridos em confrontos no Brasil, segundo a organização Monitor da Violência.
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