
Genebra, Suíça, 22 set 2026 (Lusa) — Cerca de 230.000 pessoas deslocadas no Iémen e outras 10.000 refugiadas no Djibuti deverão necessitar de assistência humanitária nos próximos meses, anunciou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A 18 deste mês, a ONU indicou que mais de 130.000 pessoas foram deslocadas no Iémen e cerca de 3.000 fugiram para o Djibuti devido à retoma dos combates no início de setembro entre os rebeldes huthis pró-iranianos e as forças pró-governamentais.
Hoje, admite que estes números poderão aumentar, respetivamente, para 230.000 e 10.000 nos próximos meses, anunciou Babar Baloch, porta-voz do ACNUR, durante uma conferência de imprensa em Genebra.
Os huthis conseguiram, há cerca de semana e meia, assumir o controlo do litoral do mar Vermelho, reforçando o seu domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia, através deste mar e do canal do Suez.
Mas os combates das últimas semanas contra as forças governamentais provocaram centenas de mortos e muitos deslocados no interior do Iémen, com outros a dirigirem-se para o Djibuti, do outro lado do mar Vermelho.
Até à data, as equipas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) “recensearam mais de 112.000 pessoas deslocadas” no interior do país, anunciou à imprensa em Genebra, a partir de Áden, Abdusattor Esoev, chefe da missão da organização no Iémen, sublinhando, contudo, que o número poderá aumentar.
“A maioria foi deslocada nas últimas duas semanas, principalmente ao longo da costa ocidental e nas províncias de Taiz e Lahj”, no oeste do país, acrescentou.
Além disso, cerca de 3.000 pessoas já chegaram ao Djibuti em menos de uma semana, “após terem efetuado a perigosa travessia marítima do estreito”, relatou à imprensa a partir do Djibuti Sandrine Desamours, representante local do ACNUR.
Estas chegadas “de refugiados iemenitas aumentam a pressão sobre um dispositivo de resposta já sujeito a fortes exigências”, sublinhou, numa altura em que o país acolhe já 36.000 refugiados, principalmente provenientes da Somália e da Etiópia.
“Embora este número possa parecer modesto, é necessário ter em conta a proporção que representa face à população” de cerca de um milhão de djibutianos, argumentou.
Segundo Sandrine Desamours, as autoridades da Somalilândia e do Estado somaliano do Puntland “também assinalaram um aumento das chegadas provenientes do Iémen, incluindo tanto refugiados iemenitas como somalis que regressam ao seu país”.
Mas, por enquanto, estes fluxos “contam-se às centenas”, precisou.
Após anos de acalmia, o Iémen foi arrastado em julho para o conflito regional desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão no final de fevereiro.
Entre 2014 e 2022, uma guerra opôs os huthis às forças pró-governamentais, apoiadas por Riade, provocando centenas de milhares de mortos e mergulhando o Iémen, o país mais pobre da Península Arábica, numa grave crise humanitária.
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