
Genebra, 09 mar 2021 (Lusa) – A ONU expressou hoje preocupação com a escalada da violência contra os defensores dos direitos humanos nas Filipinas, depois de nove pessoas terem sido mortas em operações que alegadamente tinham como alvo rebeldes comunistas.
“Estamos chocados com as mortes aparentemente arbitrárias de nove ativistas”, incluindo uma mulher, disse a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, durante uma conferência de imprensa em Genebra.
Essas pessoas foram mortas “durante operações policiais e militares simultâneas nas provÃncias de Batangas, Cavite, Laguna e Rizal, nos arredores da metrópole de Manila, nas Filipinas, nas primeiras horas da manhã de domingo”, acrescentou.
Segundo a ONU, as vÃtimas eram ativistas que defendiam, nomeadamente, os direitos das comunidades pesqueiras, os direitos dos trabalhadores e os direitos das populações indÃgenas.
Seis pessoas também foram detidas durante as operações, segundo a ONU.
“Estamos profundamente preocupados que essas últimas mortes sejam um sinal de uma escalada de violência, atos de intimidação, assédio e rotulagem vermelha (comunista) de defensores dos direitos humanos”, disse Ravina.
O Alto Comissariado foi informado pelo Governo filipino “de que a operação foi baseada em mandados de busca emitidos como parte da campanha contra o Novo Exército Popular”, o braço armado do Partido Comunista das Filipinas.
A execução desses mandados de busca já resultou em outros assassÃnios, disse Ravina Shamdasani, citando a morte de nove ativistas dos direitos indÃgenas Tumandok em 30 de dezembro, em Panay.
As forças de segurança alegaram que atuaram em legÃtima defesa, durante um fogo cruzado, mas as organizações locais referiram que pelo menos três dos lÃderes foram executados a sangue frio, dois enquanto dormiam.
Os ataques deste domingo foram lançados dois dias depois de um novo apelo do Presidente filipino, Rodrigo Duterte, cuja sangrenta “guerra à s drogas” custou a vida a milhares de pessoas, pedindo à s autoridades que “ignorassem os direitos humanos” e matassem os rebeldes comunistas.
Nas Filipinas, a comissão independente de direitos humanos disse na segunda-feira que enviou uma equipa para investigar as mortes e prisões.
Nos últimos meses, de acordo com a ONU, dezenas de ativistas e vários jornalistas foram presos, nomeadamente por ocasião do Dia dos Direitos Humanos em 10 de dezembro.
“Os defensores dos direitos humanos sempre foram rotulados de ‘vermelhos’ ou acusados de servir de fachada para o braço armado do Partido Comunista”, sublinhou Ravina Shamdasani, lembrando que num relatório de junho de 2020 o Alto Comissariado colocou alertas contra este tipo de rotulagem “extremamente perigosa”.
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU publicou, em junho do ano passado, uma investigação sobre as Filipinas em que denunciava uma campanha de terror e impunidade na guerra contra as drogas que já tinha feito cerca de 30.000 mortes, assim como a pressão a lÃderes sociais e grupos de esquerda, com 248 ativistas assassinados desde o inÃcio do mandato de Rodrigo Duterte.
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