ONU condena ataques russos a Kiev e normalização do assassínio de civis

Kiev, 02 jul 2026 (Lusa) — A ONU condenou hoje os bombardeamentos russos contra Kiev e a normalização do assassínio de civis, num momento em que o número de mortes civis aumentou 40% em comparação com 2025.

“Quanto mais tempo a guerra se prolonga, mais profundas se tornam estas cicatrizes invisíveis. Estes últimos ataques fazem parte de um padrão contínuo e mortífero de ataques observados em áreas densamente povoadas em toda a Ucrânia”, afirmou o coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, Matthias Schmale.

O responsável para a Ucrânia do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) condenou “um dos maiores ataques russos à cidade de Kiev” desde o início do conflito que, segundo o último balanço das autoridades ucranianas, provocaram pelo menos 21 mortos e 85 feridos.

“O assassinato de civis nunca deve ser normalizado na guerra”, sublinhou.

Na noite de quarta-feira, a Ucrânia foi alvo de 496 drones e 74 mísseis de vários tipos, dos quais 476 e 48 foram intercetados, respetivamente, segundo a Força Aérea Ucraniana, citada pela agência francesa AFP.

Schmale adiantou que entre dezembro de 2025 e maio de 2026 as “vítimas civis aumentaram 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior”, segundo dados da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.

“A perda e o medo causados por este e por todos os outros ataques intensificam o trauma psicológico que inúmeras pessoas têm de suportar”, continuou.

O coordenador humanitário da ONU referiu que, na noite de quarta para quinta-feira, muitos dos três milhões de habitantes da capital, Kiev, e milhares de outras pessoas na região “passaram até 11 horas em abrigos ou a proteger-se nas suas casas”.

“Os civis em Kiev e em todo o país não devem preparar-se para mais um ataque, estão protegidos pelo direito internacional humanitário”, acrescentou Schmale.

Segundo a OCHA, entre as vítimas contam-se vários profissionais de saúde e motoristas de ambulâncias que ficaram feridos num ataque que visou uma estação de ambulâncias e que danificou vários veículos de emergência.

Kiev foi a cidade mais fustigada, no ataque “mais massivo” sobre a capital desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, disse o presidente da câmara, Vitali Klitschko, que declarou um dia de luto na sexta-feira.

Mais de 52 mil pessoas, incluindo cerca de 4.500 crianças, procuraram refúgio nas estações do metro de Kiev durante a última noite, o maior número registado desde o início da invasão russa.

“Este é o maior número de pessoas que procuraram refúgio no metro durante um ataque aéreo noturno nos últimos anos”, referiu a autarquia, citando dados do Metro de Kiev.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a pedir hoje autorização aos Estados Unidos para produzir mísseis intercetores Patriot na Ucrânia, numa altura em que Kiev vive uma escassez deste tipo de armamento.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também condenou os mais recentes ataques e avançou que iria propor aos 27 novas sanções contra “entidades que apoiam o complexo militar-industrial russo”.

Por sua vez, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia vai continuar a aumentar a pressão sobre a Ucrânia.

 

TAB (JH/RJP/PSP) //APN

Lusa/Fim