
Nova Iorque, 13 mar 2026 (Lusa) – O responsável humanitário da ONU, Tom Fletcher, instou hoje “todas as partes envolvidas no conflito” no Médio Oriente a permitirem a passagem segura dos navios de ajuda humanitária pelo estreito de Ormuz.
“As cadeias de abastecimento humanitário são frágeis. Quando as rotas se fecham e os custos disparam, a ajuda que podemos entregar diminui, e aqueles que mais precisam são os primeiros a ser privados dela”, destacou Tom Fletcher, citado num comunicado.
O subsecretário-geral da organização para os Assuntos Humanitários e Coordenador da Ajuda de Emergência vincou que “milhões de pessoas estão em risco”.
“As consequências da guerra no Médio Oriente não se limitam à s linhas da frente. Para além do impacto nos civis, os efeitos alastrar-se-ão pelos mercados, rotas marÃtimas e aéreas e preços dos alimentos – em toda a região e em todo o mundo”, frisou.
Tom Fletcher defendeu que o impacto nas populações já está a ocorrer: “Os preços dos combustÃveis dispararam, elevando os custos globais de transporte marÃtimo. As interrupções nos voos e no transporte marÃtimo diminuÃram a circulação de mercadorias e de pessoas, colocando os fornecimentos humanitários em risco de atrasos até seis meses. As cadeias de abastecimento globais estão sob pressão”.
O responsável da ONU apontou que as consequências do fecho do estreito “propagam-se rapidamente” e “os alimentos, medicamentos, fertilizantes e outros fornecimentos tornam-se mais difÃceis de transportar e mais caros de entregar”.
“Estamos a fazer todo o possÃvel para nos anteciparmos a estas interrupções. As equipas humanitárias preposicionaram stocks. Estão a ativar rotas de abastecimento alternativas e a trabalhar incansavelmente para garantir que a ajuda humanitária vital continua a fluir. Estou a falar diretamente com as principais partes envolvidas, fazendo pressão para que os mantimentos humanitários possam continuar a circular sem obstruções pelo Estreito”, garantiu.
Fletcher lembrou que as “cadeias de abastecimento humanitário são frágeis” e que “quando as rotas se fecham e os custos aumentam, a ajuda (…) diminui e as pessoas que mais precisam dela são as primeiras a perdê-la”.
Na sequência dos ataques militares lançados contra o Irão por Estados Unidos e Israel, a 28 de fevereiro, Teerão, além de ripostar com ataques de retaliação, está a condicionar o tráfego no Estreito de Ormuz, ameaçando atacar qualquer embarcação que tente romper os condicionamentos, que já alteraram o mercado internacional do petróleo.
O preço do petróleo Brent, referência internacional para o petróleo, disparou mais de 42% desde o primeiro dia da guerra no Médio Oriente, que provocou uma quebra nas entregas de hidrocarbonetos do Golfo.
Â
DMC // RBF
Lusa/Fim



