
Nações Unidas, 29 ago 2023 (Lusa) – As Nações Unidas (ONU) alertaram hoje que o mundo está “mais perto do que em qualquer outro momento deste século da catástrofe global”, assinalando o Dia Internacional contra os Testes Nucleares apesar de haver “poucos motivos para comemorar”.
Numa reunião plenária de alto nÃvel para promover a data, o presidente da Assembleia-Geral da ONU, Csaba Korosi, abriu a sessão com um discurso crÃtico, lamentando que a crescente desconfiança, competição geopolÃtica e um número crescente de conflitos armados apenas levaram ao aumento dos perigos no mundo, referindo especificamente as “ameaças regulares de recorrer a um ataque nuclear na guerra na Ucrânia”.
“Os gastos militares globais atingiram um recorde de 2,2 biliões de dólares (cerca de dois biliões de euros) em 2022. Vemos muitos sinais de que os arsenais e as capacidades nucleares estão a aumentar, contrariando o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, disse.
“Faz algum sentido ameaçar um paÃs vizinho com um ataque nuclear? Essa abordagem diminuiu os conflitos? Estamos agora mais seguros? Não, de todo! Estamos mais perto do que em qualquer outro momento deste século da catástrofe global”, argumentou o diplomata húngaro.
De acordo com Korosi, apostar em armas nucleares nada mais é do que uma “terrÃvel armadilha para a humanidade”, feita através de desvios de fundos públicos.
Os investimentos e a modernização contÃnua das armas nucleares são simplesmente incompatÃveis com os objetivos, aspirações e promessas de acabar com a pobreza, com as alterações climáticas ou com a perda de biodiversidade, acrescentou.
Nesse sentido, o presidente da Assembleia-Geral recordou que o Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares é uma parte fundamental da estrutura internacional de desarmamento, mas sublinhou que o facto de ainda não ter entrado em vigor — 27 anos após a sua adoção — constitui uma lacuna grave no quadro global.
“Este é um lembrete claro de que temos assuntos inacabados. Apelo aos restantes paÃses para que finalmente assinem e ratifiquem o Tratado. (…) É nosso dever garantir que a proibição dos testes nucleares seja juridicamente vinculativa para todos os Estados. (…) A chamada ‘guerra nuclear limitada’ não existe”, apelou.
“Em nome dos nossos entes queridos e das gerações futuras, é hora de evitar a destruição nuclear global. É hora de pôr fim à ameaça do nosso suicÃdio coletivo. Este pode ser o seu legado”, concluiu o húngaro.
De acordo com a ONU, desde 1945, mais de 2.000 testes nucleares infligiram sofrimento a populações, envenenaram o ar e devastaram paisagens em todo o mundo.
Num momento em que quase 13.000 armas nucleares estão armazenadas em todo o mundo — e os paÃses estão a trabalhar para melhorar a sua precisão, alcance e poder destrutivo -, o secretário-geral da ONU, António Guterres, recorreu à s redes sociais para defender uma proibição juridicamente vinculativa dos testes nucleares.
“Em nome das vÃtimas dos ensaios nucleares, apelo a todos os paÃses que ainda não ratificaram o Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares para que o façam imediatamente, sem condições. Vamos acabar com os testes nucleares para sempre”, apelou Guterres numa publicação no Instagram.
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