
Nações Unidas, 21 abr 2025 (Lusa) – O Haiti, que enfrenta uma nova escalada de violência de gangues, está a aproximar-se do “ponto sem retorno”, alertou hoje a ONU, pedindo à comunidade internacional que atue para evitar que o paÃs mergulhe no “caos total”. Â
“Estamos a aproximar-nos de um ponto sem retorno. À medida que a violência de gangues continua a espalhar-se para novas áreas do paÃs, os haitianos vivem em crescente vulnerabilidade e estão cada vez mais céticos quanto à capacidade do Estado de atender à s suas necessidades”, afirmou perante o Conselho de Segurança da ONU Maria Isabel Salvador, representante especial das Nações Unidas no paÃs.Â
“Sem assistência internacional decisiva, concreta e oportuna, a situação de segurança no Haiti pode não mudar”, alertou ainda, descrevendo os ataques coordenados realizados por gangues para aumentar ainda mais seu controlo na capital – Port-au-Prince – e outras regiões.Â
Pedindo ao Conselho de Segurança para que atue rapidamente de forma a “responder à s necessidades urgentes do paÃs e de seu povo”, Maria Isabel Salvador frisou que o “Haiti pode enfrentar o caos total”.Â
“A República do Haiti está a morrer lentamente sob a ação combinada de grupos armados, traficantes de drogas e traficantes de armas”, lamentou, por sua vez, o embaixador haitiano Ericq Pierre. Â
“Tempos de desespero exigem medidas desesperadas: a República do Haiti está disposta a discutir e, quando apropriado, apoiar qualquer iniciativa dos seus parceiros tradicionais que vise ajudar a livrar o paÃs dos gangues que aterrorizam a população”, acrescentou o diplomata.Â
O paÃs mais pobre das Américas, o Haiti, sofre há muito tempo com a violência de gangues criminosos, acusados de assassÃnio, violação, saques e sequestros, num contexto de instabilidade polÃtica.Â
O paÃs tem visto um novo aumento na violência desde meados de fevereiro. Â
Os grupos armados aumentaram os ataques em vários bairros que antes não controlavam. E, fora da capital, atacaram uma prisão no final de março e libertaram mais de 500 prisioneiros.Â
Descrevendo a situação no terreno, Maria Isabel Salvador indicou que, em fevereiro e março, 1.086 pessoas foram mortas e 383 ficaram feridas”, sendo que mais de 5.000 pessoas foram assassinadas no ano passado.Â
Este cenário mantém-se apesar do destacamento parcial da Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti, uma força liderada pelo Quénia e autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2023. Â
A Missão começou a ser mobilizada no verão passado e conta agora com pouco mais de 1.000 agentes de seis paÃses, ainda longe dos 2.500 esperados. Â
“Um aumento urgente no efetivo dessa Missão é essencial para atingir o objetivo esperado e atender à s altas e legÃtimas expectativas da população haitiana”, apelou a conselheira de Segurança Nacional do Presidente do Quénia, Monica Juma, perante o Conselho.Â
Mas a Missão ainda enfrenta escassez crÃtica de recursos.Â
Um total de 261 agentes quenianos treinados e prontos para atuar ainda aguardam mobilizações “devido à falta de equipamentos e apoio logÃstico”, observou Monica Juma.Â
Descrevendo uma situação humanitária deplorável, Maria Isabel Salvador também expressou preocupação com a falta de financiamento para as operações da ONU, sem citar especificamente os cortes orçamentários decididos pelos Estados Unidos.Â
Principalmente por razões de segurança, a ONU já teve que reduzir a sua presença na capital, que é controlada em cerca de 85% por gangues.Â
“Sem financiamento suficiente e previsÃvel, até mesmo uma presença mÃnima da ONU pode tornar-se insustentável (…). Sem essa assistência vital, as operações da ONU podem ser ainda mais reduzidas, justamente quando o paÃs mais precisa de nós”, frisou Salvador.Â
Nesse contexto, a representante das Nações Unidas pediu ao Conselho que adicione nomes à lista de indivÃduos na lista de sanções da ONU e aplique um embargo de armas.Â
Numa declaração conjunta, vários membros do Conselho, incluindo a França e o Reino Unido, pediram novas sanções “direcionadas aos responsáveis pela violência sexual”, usada “sistematicamente por gangues através de escravidão e terror”.Â
“Condenamos veementemente a violência sexual e de género generalizada, incluindo violações em massa, contra mulheres e meninas no Haiti”, enfatizaram.Â
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MYMMÂ // RBF
Lusa/FimÂ



