
Genebra, 11 mai 2023 (Lusa) — O Gabinete das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou-se hoje “alarmado” com o aumento da violência israelo-palestiniana na Faixa de Gaza e pediu a cessação das hostilidades num conflito que, em três dias, provocou 29 mortes.
“Devem ser efetuadas investigações rápidas e transparentes sobre todos os assassÃnios, especialmente os de civis”, afirmou o Gabinete da ONU, num comunicado divulgado pelo porta-voz Jeremy Lawrence, que levanta “sérias dúvidas” sobre se os ataques aéreos israelitas, muitos contra edifÃcios residenciais, “respeitam o direito internacional”.
“Estamos preocupados com o facto de o exército israelita não ter tomado as precauções necessárias para evitar e minimizar a perda de vidas civis” e os danos em instalações não militares, acrescentou.
Em sentido contrário, Lawrence sublinhou que o lançamento “indiscriminado” de foguetes a partir de Gaza e em direção a Israel por parte das milÃcias palestinianas “coloca em risco tanto israelitas como palestinianos e viola o direito internacional humanitário”.
 O número de mortos nesta nova escalada entre Israel e as milÃcias de Gaza ascende a 28 palestinianos — 15 dos quais civis, incluindo seis menores – e 86 feridos, de acordo com os números oficiais do Ministério da Saúde palestiniano.
Entre as vÃtimas mortais palestinianas estão cinco comandantes do grupo ‘Jihad’ Islâmica Palestiniana (JIP).
Do lado de Israel há o registo da morte de um homem de 70 anos, civil, vÃtima de um dos foguetes disparados hoje à tarde pelas milÃcias palestinianas.
A morte, a primeira do lado israelita, ocorreu ao final da tarde em Rehovot, a sul de Telavive, quando um mÃssil palestiniano atingiu um edifÃcio residencial e provocou mais quatro feridos, segundo os serviços de emergência de Israel.
A nova onda de violência, a maior entre Gaza e Israel desde agosto de 2022, começou terça-feira com ataques israelitas em território palestiniano, visando a JIP, uma organização considerada “terrorista” por Israel, pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos.
Hoje, o exército israelita afirmou ter atingido 166 alvos em toda a Faixa de Gaza, incluindo locais de lançamento de foguetes pertencentes ao grupo armado, e eliminado mais dois dos seus comandantes.
Desde o lançamento a partir de Gaza dos primeiros mÃsseis, quarta-feira, foram disparados 547 foguetes contra o território israelita, dos quais 175 foram intercetados pelo sistema de defesa aérea, segundo o exército israelita.
Hoje, Muhamad al-Hindi, membro do Comité PolÃtico da JIP, sublinhou que o grupo só aceitará um cessar-fogo se Israel deixar de assassinar os seus altos funcionários.Â
“O que está a impedir uma trégua é forçar a ocupação a parar a sua polÃtica de assassÃnios”, afirmou, referindo-se à presença de uma delegação da JIP ao Cairo, onde irá reunir-se com as autoridades egÃpcias na procura de uma trégua para pôr fim à escalada de violência.
O Egito intensificou desde quarta-feira os esforços para acalmar a situação em Gaza e espera chegar a um acordo entre as duas partes, especialmente depois de ter recebido uma resposta positiva de Israel na noite passada.
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