
Ovar, Aveiro, 12 out 2021 (Lusa) — O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou hoje que o Orçamento de Estado para 2022 é aquele em que o investimento público e os estÃmulos ao investimento privado “mais crescem” comparativamente aos dos últimos anos.
“Este é o orçamento em que o investimento público e os estÃmulos ao investimento privado mais crescem daqueles que temos tido nos últimos anos”, afirmou Pedro Siza Vieira, à margem da comemoração do 20.º aniversário do Porto Technical Center da Yazaki, em Ovar.
Em declarações aos jornalistas, o ministro salientou que este é “um caminho” que deve ser feito “com muito cuidado”, ao ser necessário conjugar “a disciplina das finanças públicas” com a redução da dÃvida pública e, ao mesmo tempo, “conseguir aumentar os rendimentos das famÃlias”.
“Isto é um caminho que temos de fazer com muito cuidado […]. Agora temos de voltar a uma trajetória de redução da dÃvida pública. Ao mesmo tempo, usar toas as disponibilidades que temos para conseguir apoiar o investimento, conseguir aumentar os rendimentos das famÃlias e continuar a fazer aquilo que julgo que todos percebemos que necessitamos que é de reforçar os serviços públicos, particularmente, no setor da saúde”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de existir “margem” para negociar a proposta do Orçamento de Estado para 2022 com os parceiros sociais, que consideraram o mesmo “tÃmido” e “insuficiente”, Pedro Siza Vieira salientou tratar-se de “um exercÃcio complicado”.
“Este é um exercÃcio complicado. Provavelmente toda a gente gostava mais que fosse feito mais esforço, reduzÃssemos mais os impostos, aumentássemos mais a despesa pública, mas na verdade temos de conciliar esses objetivos com uma postura de responsabilidade nas finanças públicas”, defendeu.
Pedro Siza Vieira acrescentou que face à s “regras de disciplina orçamental” que o paÃs “provavelmente” vai voltar a ter em 2023, é necessário Portugal estar “bem posicionado para continuar a ter esta trajetória de redução dos juros da dÃvida pública e de reconhecimento pelo nosso esforço de disciplina nas finanças públicas”.Â
O ministro salientou também que a proposta do Orçamento de Estado para 2022 conjuga um reforço “muito significativo” dos incentivos financeiros à s empresas e um “incentivo fiscal” ao investimento das empresas.
“Precisamos não apenas de transferir capital para as empresas através de fundos europeus, mas também apoiar as empresas que investem. Esse é o esforço conjugado para que, através do maior investimento, possamos capacitar as nossas empresas a continuar a crescer nos próximos anos”, salientou.
Considerando que Portugal precisa “seguramente” de investimento estrangeiro, o ministro disse esperar que este ano o paÃs volte a “bater o recorde de captação de investimento estrangeiro”, particularmente, no setor da indústria e das tecnologias da informação e comunicação.
O Governo entregou na segunda-feira à noite, na Assembleia da República, a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), que prevê que a economia portuguesa cresça 4,8% em 2021 e 5,5% em 2022.
No documento, o executivo estima que o défice das contas públicas nacionais deverá ficar nos 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e descer para os 3,2% em 2022, prevendo também que a taxa de desemprego portuguesa descerá para os 6,5% no próximo ano, “atingindo o valor mais baixo desde 2003”.
A dÃvida pública deverá atingir os 122,8% do PIB em 2022, face à estimativa de 126,9% para este ano.
O primeiro processo de debate parlamentar do OE2022 decorre entre 22 e 27 de outubro, dia em que será feita a votação, na generalidade. A votação final global está agendada para 25 de novembro, na Assembleia da República, em Lisboa.
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