
Lisboa, 27 out 2020 (Lusa) – O presidente do PSD, Rui Rio, criticou hoje as opções do Governo para a TAP, acusando o executivo de “enterrar dinheiro dos contribuintes” na transportadora aérea nacional antes de ser conhecido o plano de reestruturação.
“Para quando o plano de reestruturação da TAP, sendo que já o devÃamos ter tido antes de o Governo enterrar dinheiro dos contribuintes?”, questionou Rio, no arranque do debate parlamentar da proposta de Orçamento do Estado para 2021.
Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, respondeu que este plano deverá ser conhecido em meados de dezembro e considerou que a questão fundamental “é polÃtica”.
“É saber se queremos a TAP ou se queremos deixar falir a TAP. Do nosso lado, não temos dúvidas, a TAP não pode falir (…) Mas um dia gostaria de ouvir a opinião do senhor deputado, quer deixar falir a TAP ou não quer deixar falir a TAP?”, perguntou.
Num modelo de debate sem réplica, Rio já não teve ocasião de responder a Costa.
Na sua intervenção, o presidente do PSD considerou que, em 31 de dezembro no ano passado, a TAP “era uma empresa falida”, com 776 milhões de euros de capital próprio e 1,2 mil milhões de euros de passivo.
“O Governo aprovou mais 1,2 mil milhões de euros de empréstimo, ou seja, duplicou o passivo que a TAP tinha, e neste orçamento estão mais 500 milhões de euros avalizados pelo Governo”, enumerou, calculando que, no final deste ano, os capitais próprios da empresa devem rondar os 2 mil milhões de euros negativos.
Rui Rio aludiu ainda à próxima assembleia geral da empresa, em que estará em discussão a alteração dos estatutos da TAP e, na qual disse, a Parpública se predispõe a avalizar mais 156 milhões de euros de passivo bancário, que se previa inicialmente serem divididos entre público e privados.
“O Governo está de acordo com isto? No próximo dia 10 de novembro ainda são mais 156 milhões de euros à s costas dos contribuintes?”, questionou.
Na resposta, António Costa apenas referiu que o Governo prevê para a TAP no próximo Orçamento “o que está coberto pelas autoridades da Comissão Europeia e em linha com o que se antecipa serem as necessidades de reforço do empréstimo”, afirmou.
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