
Lisboa, 15 jul 2022 (Lusa) – A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) alertou hoje que foram preenchidas 63% das vagas abertas em junho para recém-especialistas em medicina geral e familiar, a mais baixa ocupação de lugares disponÃveis desde a criação dessa especialidade.
“A FNAM teve conhecimento, através da Administração Central do Sistema de Saúde, que apenas 63% das vagas abertas para o processo de recrutamento dos recém-especialistas em Medicina Geral e Familiar foram escolhidas”, avançou a estrutura sindical em comunicado.
Segundo a federação, desde que existe a especialidade Medicina Geral e Familiar (MGF), tendo os primeiros médicos de famÃlia do paÃs sido formados em 1982, que “não se assistiu a uma tão baixa ocupação de vagas”.
De acordo com a FNAM, os novos médicos de famÃlia estão a escolher trabalhar fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e mesmo fora do paÃs, o que se deve ao congelamento há 10 anos das grelhas salariais, que levou a uma perda de poder de compra de cerca de 20%.
“Simultaneamente, há uma grande falta de perspetiva de progressão na carreira médica, quer em termos académicos quer financeiros, devido ao congelamento das carreiras desde 2005”, alertou a estrutura liderada por Noel Carrilho.
Além disso, a “desmotivação” dos recém-especialistas para concorrerem ao SNS deve-se à “desvalorização da especialização” em MGF, devido à possibilidade prevista no Orçamento do Estado para 2022 de serem contratados para os centros de saúde clÃnicos sem especialidade para colmatar a falta de médicos de famÃlia.
Perante isso, a FNAM anunciou que apoia o protesto, organizado pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, previsto para sábado junto ao Ministério da Saúde, contra essa possibilidade.
No parlamento na quinta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido garantiu que a contratação de clÃnicos sem especialidade para colmatar a falta de médicos de famÃlia pretende responder aos casos de doença aguda, não sendo considerados médicos de famÃlia, nem contando para os rácios de cobertura de MGF.
Na mesma ocasião, a secretária de Estado da Saúde adiantou que 272 novos médicos de famÃlia estão prontos para iniciar funções no SNS, no âmbito do concurso aberto a 17 de junho.
Estas contratações, afirmou Maria de Fátima Fonseca, correspondem “a um incremento bastante expressivo da cobertura de utentes com médicos de famÃlia”.
Adiantou ainda que as vagas que ficaram por ocupar podem vir a sê-lo através dos procedimentos concursais a desenvolver a nÃvel regional pelas administrações regionais de saúde, além do concurso de segunda época em novembro ou dezembro.
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