
Lisboa, 21 jun 2022 (Lusa) – O Relatório de Primavera 2022 defende que a pandemia mostrou que as despesas em saúde “são um investimento e não um custo” e sublinha que sistemas de saúde mais fortes e resilientes protegem melhor as populações e as economias.
O documento, da autoria do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), aponta diversos estudos que concluem que os governos deverão investir em áreas crÃticas como a capacidade de adaptação e de aprendizagem, de alinhamento dos serviços públicos com as necessidades dos cidadãos, de governação de sistemas de produção resilientes e na capacidade de gerir dados e plataformas digitais.
O Relatório de Primavera 2022 — “E agora?”, que hoje é apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e que analisa a governação do sistema de saúde português, lembra a redução na atividade assistencial, mas sublinha o esforço dos Cuidados de Saúde Primários (CSP).
“Os CSP, apesar de algumas quebras, evidenciaram um esforço notável na procura de formas alternativas de resposta aos seus utilizadores, a par com o seguimento de doentes com covid-19 e de todo o trabalho que foi necessário desenvolver no processo de vacinação”, sublinha.
O OPSS recorda a redução nas consultas presenciais nos CSP no perÃodo 2019/2020 e o aumento de 14,3% em 2020/2021, mas sublinha que este não foi suficiente para recuperar a atividade pré-pandemia, “uma vez que se regista uma redução de 29,7% entre 2019/2021”.
Os cuidados ao domicÃlio seguem a mesma tendência, que é alterada nas consultas não presenciais, que mais do que duplicaram no perÃodo 2019/2020, continuando a aumentar em 2020/2021, refere o documento, que destaca o facto de o serviços terem procurado formas alternativas de dar resposta aos utentes.
Nas consultas médicas hospitalares, sublinha que a atividade anterior à pandemia ainda não foi completamente recuperada, tendência que se repete para as primeiras consultas.
A mesma tendência de queda — refere o relatório — é encontrada nos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDT) entre 2019/2020.
No perÃodo 2020/2021, o documento aponta para um aumento total de 39% dos atos aceites de MCDT, referindo que o aumento é generalizado em praticamente todas as áreas, com exceção da neurofisiologia (redução de 29,7%).
Em relação aos nÃveis de atividade, o relatório defende que em Portugal se deve ponderar se no pós-pandemia se pretende repor em todas as linhas os nÃveis verificados na pré-pandemia.
“Por exemplo, tendo em conta as queixas dos hospitais relativamente ao excesso de procura nas urgências antes da pandemia, sugerindo que os problemas poderiam e deveriam ser resolvidos noutras áreas de cuidados, nomeadamente nos CSP, esta reposição poderá ser equacionada e estendida a outras áreas de cuidados”, sugere.
Diz ainda que a análise da redução global na utilização de serviços de saúde e os nÃveis que se pretendem repor, bem como o aumento das necessidades não satisfeitas em saúde, devem ser analisadas em conjunto para ajudar na definição de estratégias coerentes que respondam à s necessidades identificadas e que permitam melhorar a saúde de forma eficiente.
Sobre o recurso à telemedicina e outras variantes da telessaúde – alternativas encontradas para responder à necessidade de respostas alternativas aos utentes -, o Relatório de Primavera defende que deve ser garantida “a sustentabilidade dos respetivos investimentos necessários nesta área (infraestruturas, tecnológicos, humanos, formação, etc.) e o sistema de incentivos para a manutenção e até extensão das boas práticas comprovadas”
No entanto, alerta, a adoção da telessaúde “deverá ser equacionada para perceber se responde integralmente à s necessidades da procura que se verificaram nos diversos nÃveis de cuidados, não podendo ser adotada como uma panaceia para todas as atividades de saúde”.
O Observatório Português dos Sistemas de Saúde é constituÃdo por uma rede de investigadores e instituições académicas dedicadas ao estudo dos sistemas de saúde.
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