
Lisboa, 16 abr 2020 (Lusa) — O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do escritor chileno Luis Sepúlveda, hoje aos 70 anos, a quem chama “um amigo de Portugal”.
“É com particular tristeza que recebemos a notÃcia da morte de Luis Sepúlveda. Pelo escritor que era, pelas circunstâncias que bem conhecemos, e porque era um amigo de Portugal”, lê-se numa nota publicada hoje no ‘site’ oficial da Presidência da República Portuguesa.
Marcelo Rebelo de Sousa recorda que, desde a publicação de “O Velho que Lia Romances de Amor”, em 1989, “que Sepúlveda se tornara um dos autores da América do Sul mais lidos da atualidade, como não acontecia desde o chamado ‘boom’ latino-americano”.
O Presidente da República lembra que o “chileno empenhado, militante, apoiante de Salvador Allende, também jornalista, guionista, ecologista e viajante” deixou, “além dos romances e novelas (livros breves, claros, pÃcaros, alegóricos), vários testemunhos dos seus combates e do seu pensamento crÃtico”.
A morte do escritor, cuja obra foi “amplamente traduzida em Portugal” e que era “visita habitual no paÃs”, considera Marcelo Rebelo de Sousa, “é especialmente sentida pelos portugueses”, sentimento ao qual se associa, apresentando “condolências à sua mulher, a escritora Carmen Yáñez”.
Luis Sepúlveda morreu hoje, aos 70 anos, em Espanha, em consequência da doença covid-19, confirmou a Porto Editora.
Sepúlveda estava internado desde finais de fevereiro num hospital de Oviedo, em Espanha, onde foi diagnosticado com aquela doença. Os primeiros sintomas ocorreram dias antes, quando esteve no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim.
A confirmação de que estava infetado com a covid-19 levou, na altura, o Correntes d’Escritas a recomendar uma quarentena voluntária aos que participaram no festival e estiveram em contacto com o escritor chileno.
Tudo isto aconteceu ainda antes de as autoridades portuguesas confirmarem oficialmente qualquer registo de infeção em Portugal, o que só viria a acontecer a 02 de março.
LuÃs Sepúlveda, que nasceu no Chile a 04 de outubro de 1949, estreou-se nas letras em 1969, com “Crónicas de Piedro Nadie” (“Crónicas de Pedro Ninguém”), dando inÃcio a uma bibliografia de mais de 20 tÃtulos, que inclui obras como “O Velho que Lia Romances de Amor” e “História de Uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”.
Além da escrita, a sua vida foi marcada também por forte atividade polÃtica, tendo sido expulso de Moscovo, em 1970, onde se encontrava a estudar graças a uma bolsa conseguida através de um prémio literário, e posteriormente, regressado ao Chile, expulso do partido comunista.
Entrou então no cÃrculo mais próximo do Presidente Salvador Allende, que acabou por ser destituÃdo e morto, e com a instituição da ditadura de Pinochet no Chile, foi parar à prisão, primeiro, e depois ao exÃlio.
Luis Sepúlveda tem toda a obra publicada em Portugal – alguns tÃtulos estão integrados no Plano Nacional de Leitura -, e era presença regular em eventos literários no paÃs.
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