
Cascais, Estoril, 21 jan 2024 (Lusa) — O presidente do CDS-PP afirmou hoje que o “único governo” que a Aliança Democrática (PSD, CDS-PP e PPM) vai viabilizar é destes partidos e pediu a André Ventura para não “tresler o pensamento dos outros”.
“Para que fique claro, o único governo que a AD vai viabilizar depois de 10 de março vai ser o governo da AD quando vencermos as eleições, contados todos os votos. Vai ser o único governo que vamos viabilizar”, salientou.
Nuno Melo deixou esta garantia no arranque do seu discurso na “Convenção por Portugal”, iniciativa da coligação Aliança Democrática (AD), que junta PSD, CDS-PP e PPM nas próximas eleições legislativas de 10 de março.
Falando no Centro de Congressos do Estoril (distrito de Lisboa), o presidente do CDS-PP disse saber “muito bem” quem são os seus adversários: “São as esquerdas, mas são também todos aqueles que querem o insucesso da AD”.
Nuno Melo, que foi criticado no sábado pelo lÃder do Chega por declarações sobre a eventual viabilização de um governo minoritário do PS, aproveitou para deixar uma “sugestão a André Ventura”.
“Pare lá de tresler o pensamento dos outros e deixar de ser o aliado útil, a muleta útil das esquerdas, disponÃvel para apresentar moções de rejeição a este governo da AD, para dar a mão ao PS, BE, PCP, PAN e Livre”, desafiou.
Num discurso em que lançou crÃticas, sobretudo ao PS, mas também ao BE e ao Chega, e apresentou algumas medidas que constarão no programa eleitoral da coligação, Nuno Melo sustentou que a AD “não é coisa do passado, é coisa do presente”, assinalando que PSD e CDS-PP estão juntos em dezenas de autarquias e os governos regionais da Madeira e dos Açores.
“E vai medir-se no próximo dia 10 de março no governo de Portugal”, declarou.
À entrada para o Centro de Congressos do Estoril, onde decorre a convenção da AD, LuÃs Montenegro não respondeu à s perguntas dos jornalistas, quer sobre as ausências de Passos Coelho ou do lÃder do PPM, quer sobre as declarações do lÃder do CDS-PP, Nuno Melo, sobre a viabilização de um eventual governo minoritário do PS.
“Estamos focados em dar soluções aos problemas das pessoas”, disse, prometendo apresentar hoje algumas propostas e “nas próximas semanas” o programa eleitoral da AD.
Em entrevista à CNN, esta semana, Nuno Melo disse defender que “quem ganha deve governar” e, questionado se a AD deveria viabilizar um eventual governo minoritário do PS mesmo havendo maioria de centro-direita, respondeu: “É o que eu defendo, o que reclamo para a coligação deve ser aplicável a todos os outros, falo por mim enquanto presidente do CDS-PP”.
Depois de crÃticas do lÃder do Chega, o lÃder do CDS-PP emitiu um comunicado em que acusou André Ventura de “tresler o pensamento alheio” e deixou clara a posição da coligação.
“Em condições normais quem vence deve governar. Mas a AD não viabilizará um governo de esquerda, em primeiro lugar porque vencerá as eleições e em segundo lugar porque a normalidade desapareceu quando o PS governou tendo perdido as eleições e Pedro Nuno Santos esclareceu que não viabilizará um governo à sua direita, abrindo as portas a uma geringonça 2.0, que seria um desastre para Portugal. As regras têm de ser iguais para todos”, clarificou.
A convenção “Por Portugal”, uma iniciativa da coligação Aliança Democrática (AD), junta PSD, CDS-PP e PPM nas legislativas antecipadas de 10 de março.
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