
Maputo, 15 set 2026 (Lusa) – O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou hoje, em Maputo, que não pode haver “trauma” ou “vergonha” na valorização e no apoio aos antigos combatentes, pelo papel que desempenharam.
“Na dignificação de quem, de facto, não tem nenhum problema em honrar esta memória. Não temos nisso vergonha nem trauma, muito pelo contrário. Eu tenho dito muitas vezes que os antigos combatentes são a essência dos povos, por aquilo que deram, deram tudo, para que as pátrias existissem”, disse Nuno Melo, durante a visita à sede da Associação dos Deficientes das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique, em Maputo.
“Nós tivemos os antigos combatentes como uma prioridade primeira desta visita”, disse, acrescentando que a deslocação a Moçambique representou “boas notÃcias” e resultados práticos.
“Nós quisemos que esta delegação portuguesa em Moçambique, juntamente com o Governo moçambicano, conseguisse dar passos importantes para resolver problemas, alguns deles antigos e em vantagem dos dois povos”, afirmou.
Na sede e espaço de convÃvio da Associação dos Deficientes das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique, que reúne centenas destes antigos militares, moçambicanos, Nuno Melo anunciou o entendimento com o Governo de Maputo para as prometidas obras de requalificação do local.
“Este edifÃcio é um espaço de convÃvio, mas também de memória e de confraternização entre camaradas que não tem condições, mas em relação ao qual, para que o Estado português possa intervir, ajudando na sua recuperação, temos que ter a autorização do Estado moçambicano”, explicou.
Contudo, durante a visita, Nuno Melo recebeu o documento subscrito pela ministra dos Combatentes, autorizando a realização das obras no local.
A notÃcia, anunciada no local pelo ministro português, deixou “emocionado” o vice-presidente da associação, Zacarias Boane, antigo combatente pelas Forças Armadas portuguesas.
“É uma coisa importante. É importante”, afirmou, na presença de algumas dezenas de outros antigos combatentes e viúvas, recordando que estes, na altura, “lutaram pela defesa da pátria”.
“Há muito tempo, tÃnhamos ficado esquecidos, não havia quem tivesse ficado perto de nós, do Governo, do Estado”, lamentou, mas agora satisfeito pela visita de Nuno Melo, a quem pediu ainda o apoio na documentação de centenas de outros espalhados pelo paÃs e que não conseguem comprovar que pertenceram à s Forças Armadas portuguesas, até porque depois da independência de Moçambique os arquivos ficaram no paÃs.
Para isso, os dois governos assinaram, também durante a visita de Nuno Melo, um memorando de entendimento que possibilitará o acesso a esses arquivos.
“Permitirá agora que o Governo português possa aceder e digitalizar os documentos que estão em Moçambique desde o momento da independência, mas relativos a militares, militares que combateram também pela bandeira e pela pátria portuguesa, que têm direitos. Mas direitos estes têm que ser certificados”, explicou Nuno Melo.
“O que tem acontecido nos últimos 50 anos é que nós não conseguimos comprovar essa situação e esse foi um passo de gigante que foi dado ontem [segunda-feira] com a colaboração da senhora ministra dos Combatentes e agora nós, Estado português, poderemos aceder e digitalizar esses documentos e naturalmente também o Governo moçambicano poderá consultar os documentos que tenham a ver com a sua história e que estejam presentes em Portugal. Essa foi uma boa notÃcia”, assumiu Nuno Melo.
“Lutaram por uma bandeira, por uma ideia de pátria, foram feridos, muitos morreram. E este sacrifÃcio é um sacrifÃcio que qualquer Estado, não é apenas Portugal, qualquer Estado está obrigado a honrar e a homenagear.  Sabemos sempre com dificuldades que são à s vezes financeiras, à s vezes de natureza administrativa, mas no limite do possÃvel, estando o Estado obrigado a dar passos que honrem essa circunstância”, concluiu.
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