Nuno Melo afirma que investir em Defesa “não é uma questão de opção”

Lisboa, 02 jul 2026 (Lusa) — O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou hoje que investir nesta área de soberania “não é uma questão de opção” no contexto atual, considerando que a NATO continua a ser “a melhor aposta”.

Nuno Melo intervinha num almoço-debate organizado pelo International Club of Portugal, que decorreu num hotel no centro de Lisboa, sob o tema “O sentido dos investimentos na Defesa em benefício da Economia nacional e do apoio à população civil, num contexto de incerteza geopolítica”.

Num contexto geopolítico no qual a administração norte-americana diminui o seu investimento e peso na Aliança Atlântica, Nuno Melo salientou que tal obriga a Europa a investir mais nas suas capacidades, depois de anos focada na construção de um Estado social mais reforçado.

“Muito se especula sobre diferentes possibilidades em relação ao nosso futuro. Há quem defenda um exército europeu, há quem defenda novas instâncias de reflexão e pensamento na Defesa na Europa, mas independentemente da dinâmica e de tudo aquilo que eu lhes refiro, se há dúvida, que pelo menos não tenho, é que a NATO continua a ser a nossa melhor aposta”, considerou.

A menos de uma semana na cimeira da Aliança Atlântica, que vai decorrer a 07 e 08 na Turquia, Nuno Melo afirmou que Portugal é “a frente ocidental da NATO”.

“Nós não estamos a investir apenas em Portugal, nós estamos a investir na nossa capacidade de exercer a soberania, de exercer missões de ação de apoio à população civil, mas defender esta que é uma fronteira ocidental da NATO”, salientou, lembrando que no mar português passam cabos submarinos dos quais depende a economia global.

Para que fazer essa defesa, continuou, “a Marinha tem de estar devidamente equipada, a Força Aérea tem de estar devidamente equipada e, na componente terrestre, o Exército tem também grandes exigências que justificam o investimento equivalente”.

“Isto não é uma questão de opção. Não é uma questão de opção. (…) Nós estamos a investir a pensar na paz, mas de forma decidida e decisiva, sem que tenhamos qualquer outra alternativa”, insistiu.

Nuno Melo sublinhou que Portugal investiu no ano passado cerca de seis mil milhões de euros em Defesa, atingindo os 2,01% do PIB, e que ainda terá 5,8 mil milhões disponíveis no âmbito dos empréstimos europeus SAFE.

Dirigindo-se a uma plateia de empresários, Melo afirmou que está em causa “a oportunidade de uma geração”.

“Façam este caminho connosco e que aproveitem estas oportunidades, não apenas porque lhes vão dar retorno económico ou financeiro, mas porque nós precisamos destas parcerias para podermos assegurar que quando investimos no pilar europeu de Defesa da NATO, Portugal é também uma parcela relevante desse investimento”, sustentou.

O governante ainda foi questionado por um membro da plateia sobre como está a lidar com “as pressões” dos norte-americanos da Lockheed Martin ou dos suecos da Saab para adquirir caças que substituam a atual esquadra de F-16, mas Nuno Melo repetiu que o processo “ainda não abriu”.

À margem do almoço-debate, interrogado sobre se Portugal parte como o exemplo de aliado para a cimeira em Ancara, devido ao reforço do investimento em Defesa e à relação positiva que tem mantido com a administração norte-americana, Nuno Melo respondeu: “Partimos como um aliado que se comporta como um aliado.”

“O que é suposto é que um aliado se comporte como um aliado, o que significa honrar compromissos na NATO, estando do lado dos aliados quando os aliados precisam, naquilo em que naturalmente nos possamos rever. E é isso que Portugal é na NATO, é um parceiro e um aliado credível, não apenas em relação aos Estados Unidos, é em relação a qualquer um dos aliados que compõem a NATO”, acrescentou.

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