Número de pessoas em insegurança alimentar reduz em 147 mil no centro de Moçambique

Maputo, 07 out 2026 (Lusa) — O número de pessoas em situação de insegurança alimentar na província de Manica, centro de Moçambique, caiu de 248.851 entre janeiro e março para cerca 101 mil entre abril e setembro deste ano, anunciou hoje fonte oficial.

A redução de 147.629 pessoas foi atribuída pela governadora de Manica, Francisca Tomás, ao aumento da produção agrícola na campanha 2025-2026 e às medidas adotadas para reforçar a capacidade produtiva face aos efeitos do fenómeno El Niño.

“De abril a setembro do presente ano, o número reduziu para 101.222 pessoas, como resultado da ação produtiva na campanha agrária de 2025-2026”, disse Francisca Tomás, citando avaliações do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional(SETSAN).

Entre as medidas adotadas está a distribuição de 60 moto-bombas a dísel para produtores de seis distritos da província, além da instalação e aquisição de sistemas de irrigação alimentados por energia solar.

No âmbito do Programa de Desenvolvimento Inclusivo de Cadeias de Valor Agroalimentares, estão também em aquisição 22 sistemas de irrigação fotovoltaicos para produtores de quatro distritos, segundo a governadora.

“Para mitigar os impactos do fenómeno El Niño na nossa província, por iniciativa do Presidente da República [Daniel Chapo], está em curso a implementação de uma série de ações”, afirmou Francisca Tomás, referindo-se ao programa de emergência para recuperação e resiliência.

A província prevê ainda a instalação de seis sistemas de abastecimento de água e a aquisição de outros 20 sistemas fotovoltaicos para apoiar produtores de quatro distritos, como parte das medidas para melhorar o acesso à água e sustentar a produção agrícola.

A evolução registada em Manica ocorre num contexto nacional de agravamento das necessidades alimentares. Uma análise técnica coordenada pelo SETSAN estima que a insegurança alimentar aguda possa atingir 1,84 milhões de pessoas até março de 2027, contra os atuais 1,19 milhões.

O aumento projetado, de 55%, é associado sobretudo ao conflito armado no norte, aos efeitos do fenómeno El Niño e ao esgotamento das reservas alimentares, segundo a análise da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC).

O Governo moçambicano já tinha alertado para os impactos do El Niño em pelo menos 52 distritos das regiões sul e centro, tendo anunciado a preparação de um plano de ação para reduzir os efeitos da seca e da escassez de água.

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