
Hong Kong, China, 23 ago 2019 (Lusa) — Os protestos antigovernamentais e pró-democracia voltam hoje à s ruas de Hong Kong com um cordão humano marcado para junto das estações das três principais linhas de metropolitano e uma manifestação promovida por contabilistas.
A manifestação dos contabilistas está agendada para as 12:30 (05:30 em Lisboa), o cordão humano para as 20:00.
As duas iniciativas antecedem um protesto convocado para 31 de agosto para assinalar os cinco anos do veto de Pequim à possibilidade de sufrágio universal na ex-colónia britânica.
Por outro lado, acontecem após a manifestação pacÃfica de domingo – que juntou mais de 1,7 milhões de pessoas, segundo a organização, e 128 mil, de acordo com a polÃcia — e um tenso protesto esta semana numa das estações de metro que quase resultou em confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
Os contabilistas vão marchar no centro da cidade, num desfile autorizado pela polÃcia, para exigir ao Governo de Hong Kong uma resposta à s cinco reivindicações da Frente CÃvica dos Direitos Humanos, o movimento que tem liderado os maiores protestos.
Em causa está a retirada definitiva das emendas à lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe do Governo, Carrie Lam, e sufrágio universal nas eleições para chefe do Executivo e para o Conselho Legislativo (parlamento local).
O cordão humano não tem uma liderança conhecida e tem sido promovida nas redes sociais, uma iniciativa para “continuar a dar eco aos apelos das pessoas de maneira pacÃfica, racional e não-violenta” e, “ao mesmo tempo, elevar a consciência internacional” para as reivindicações da população de Hong Kong.
Na quinta-feira, a empresa gestora do metro em Hong Hong anunciou que, daqui em diante, ao mÃnimo sinal de violência, vai suspender os serviços e fechar as estações sem qualquer aviso. “A polÃcia pode ter que entrar na estações para tomar as ações necessárias para garantir o cumprimento da lei”, indicou a MTR, num comunicado citado pelo jornal South China Morning Post.
Os protestos na região administrativa especial chinesa duram desde 09 de junho e têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e polÃcia.
Inicialmente, a contestação dirigia-se apenas à s emendas à lei da extradição propostas pelo Governo de Hong Kong, que permitiriam extraditar suspeitos de crimes para paÃses com os quais não existia acordo prévio, como é o caso da China continental.
A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princÃpio “um paÃs, dois sistemas”, precisamente o que os opositores à s alterações da lei da extradição garantem estar agora em causa.
Para a região administrativa especial da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
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