
Colombo, 21 jul 2022 (Lusa) — O novo Presidente do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, de 73 anos, tomou hoje posse, numa ilha atualmente a atravessar a pior crise económica desde a independência do Império Britânico em 1948.
Wickremesinghe tomou posse perante o principal magistrado do Sri Lanka, Jayantha Jayasuriya, na presença do presidente do parlamento, Mahinda Abeywardana, o chefe da polÃcia e o alto comando do exército, segundo um comunicado do Gabinete da Presidência.
A cerimónia aconteceu no interior do parlamento, cujas entradas estavam barricadas, com o edifÃcio protegido por centenas de soldados.
O Governo tinha dito que a breve cerimónia seria transmitida pela televisão estatal, mas a transmissão foi interrompida pouco antes do inÃcio da tomada de posse.
As autoridades indicaram que foi aberta uma investigação sobre as causas do que disseram ser uma avaria inesperada no fornecimento de eletricidade
Segundo fontes oficiais, o novo chefe de Estado deverá formar um governo com até 30 ministros.
Wickremesinghe permanecerá no cargo até 2024, completando assim o mandato do antigo Presidente Gotabaya Rajapaksa, que fugiu para Singapura e renunciou ao cargo, na sequência de grandes manifestações, durante quase 100 dias, contra a crise económica.
Wickremesinghe, até agora presidente interino, obteve na quarta-feira 134 votos dos 225 parlamentares.
Horas depois, o polÃtico ameaçou tomar medidas severas contra quem tente derrubá-lo, afirmando que atuará “com firmeza” se alguém tentar agir contra o Governo.
“Se tentarem derrubar o Governo, ocupar o gabinete do Presidente e o do primeiro-ministro, isso não é democracia e responderemos com firmeza”, disse.
Apesar de ter declarado que “as divisões acabaram” no Sri Lanka, Wickremesinghe não é consensual no paÃs, com os manifestantes que contribuÃram para depor Rajapaksa a considerarem que será mais do mesmo.
A oposição polÃtica e os manifestantes acusavam a famÃlia Rajapaksa, que dominou a vida polÃtica da ilha durante décadas, de desvio de fundos públicos e culpam as medidas impostas pelo antigo chefe de Estado pelo colapso económico do paÃs.
Wickremesinghe declarou na segunda-feira o estado de emergência, dando-lhe ampla autoridade para reprimir novos protestos.
O impasse polÃtico ameaçava a situação económica e financeira do paÃs, que poderia atrasar ainda mais uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O paÃs já entrou em ‘default’ técnico e tem uma dÃvida externa superior a 50 mil milhões de euros, que os analistas já consideraram “impagável”.
A escassez de produtos de primeira necessidade agravou a situação da população do paÃs com 22 milhões de habitantes.
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