
Matosinhos, Porto, 19 mai 2023 (Lusa) – O partido Pessoas-Animais-Natureza realiza o seu IX Congresso no sábado, em Matosinhos, para eleger uma nova liderança a que concorrem a atual porta-voz, Inês de Sousa Real, e o antigo dirigente Nelson Silva.
A reunião vai decorrer na Escola Básica de Matosinhos, no distrito do Porto, e tem inÃcio marcado para as 08:30.
Em foco vai estar a eleição da nova Comissão PolÃtica Nacional e do porta-voz (lÃder) do PAN, discussão e votação de três propostas de alteração aos estatutos, e ainda a discussão de 15 moções setoriais. O PAN vai também definir a orientação e estratégia polÃtica para os próximos anos.
As propostas de alteração aos estatutos são subscritas pelas duas listas candidatas à direção e também por um grupo de filiados que propõe a criação de uma “juventude PAN”.
De acordo com a informação transmitida à agência Lusa por fonte oficial do partido, participam no IX Congresso do PAN 136 delegados, todos eleitos em lista pelas assembleias regionais e distritais.
Neste congresso há dois candidatos à liderança: Inês de Sousa Real, deputada única e porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza há dois anos, recandidata-se ao cargo e vai enfrentar o antigo dirigente Nelson Silva, que conta com o apoio da corrente interna de opinião “Mais PAN, Agir para Renovar”.
O ex-deputado integrou a direção de Inês de Sousa Real até fevereiro do ano passado, quando se demitiu, juntamente com outros, alegando “asfixia democrática interna”.
Os estatutos em vigor estipulam que o porta-voz do PAN é a pessoa que está em primeiro lugar na lista mais votada (por voto secreto) para a Comissão PolÃtica Nacional.
Na sua moção global de estratégia “Pelas causas que nos unem”, a atual lÃder reconhece que o mandato foi marcado por momentos atribulados, tanto a nÃvel interno, com “falta de estabilidade”, como pelo que foi acontecendo no paÃs e no mundo, como a guerra na Ucrânia, e que os últimos resultados eleitorais “não foram os desejados”, mas salienta que “há muito trabalho para realizar pelas causas PAN”.
Inês de Sousa Real diz contar na sua recandidatura à Comissão PolÃtica Nacional com pessoas “com experiência e de continuidade do trabalho que se pretende levar a cabo, mas também uma lista renovada com pessoas que trazem mais-valias”.
Entre alguns dos objetivos principais para o próximo mandato, a atual porta-voz assume quer “garantir que o PAN é o partido ambientalista de referência em Portugal” e que “não se afasta da sua génese polÃtica, a proteção animal como eixo prioritário”, a adesão ao partido polÃtico europeu dos ‘European Greens’, e a nÃvel eleitoral “recuperar os votos que já foram do PAN e que migraram para outros partidos” bem como “trabalhar para captar as pessoas que têm um voto ao centro”.
Já Nelson Silva aponta que o PAN vive “a maior crise da sua, ainda curta, história”, com dois “desaires eleitorais”, nas últimas autárquicas e legislativas.
O candidato a lÃder elege como “missão primordial” do mandato até 2025 preparar o PAN para a “recuperação eleitoral” e estabelece como objetivos “preparar estrategicamente o partido para recuperar o eleitorado perdido em 2022”, bem como voltar eleger deputados na Assembleia Regional da Madeira e no Parlamento Europeu.
Na sua moção global de estratégia, Nelson Silva assinala ainda a necessidade de passar aos portugueses a “imagem de um partido exigente para com o Governo, nomeadamente na negociação do Orçamento do Estado e no recurso à s ferramentas de fiscalização polÃtica” e não de “um partido suave, dócil, manipulável, por outras palavras, os ‘Verdes’ do PS”.
No seu mandato, Inês de Sousa Real viu o partido passar de quatro deputados eleitos para um e as últimas alterações aos estatutos rejeitadas pelo Tribunal Constitucional.
A lÃder foi também alvo de crÃticas quando foi noticiada na comunicação social a sua ligação a empresas agrÃcolas de produção de frutos vermelhos e viu o seu mandato contestado, com a demissão de vários membros da sua comissão polÃtica em rota de colisão com a sua liderança e pedidos que se demitisse e convocasse um congresso extraordinário, incluindo por parte do seu antecessor no cargo, André Silva.
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