
Los Angeles, 09 mar 2022 (Lusa) – O novo filme da Pixar, “Turning Red: Estranhamente Vermelho”, aborda o embaraço e confusão da adolescência feminina, algo que a criadora Domee Shi espera que seja inspirador para a próxima geração de cineastas.
“Significa muito para mim que a Pixar e a Disney tenham apoiado tanto este filme e me tenham apoiado a mim nos quatro anos que levei a fazê-lo”, disse a realizadora, em entrevista à Lusa.
“Ver que este filme pode ser o primeiro de muitos novos filmes feitos por cineastas diversos é muito entusiasmante e sinto-me honrada”.
“Estranhamente Vermelho”, que se estreia na sexta-feira, 11 de março, representa uma viragem para o estúdio: é a primeira longa-metragem da Pixar realizada inteiramente por uma mulher, com uma protagonista asiática feminina e cuja ação se situa no Canadá.
“Não senti o peso da importância histórica”, disse Domee Shi. “Só queria, quase de forma egoÃsta, fazer um filme para a miúda de 13 anos que eu fui, a crescer confusa, embaraçada e angustiada com o que estava a acontecer ao meu corpo e aos meus relacionamentos”.
A nova produção Disney Pixar é também a primeira com uma equipa criativa exclusivamente feminina, com a realizadora Domee Shi ladeada pela coargumentista Julia Cho e pela produtora Lindsey Collins.
“Isto não teria sido feito há uns anos, porque acho que só a Domee poderia ter feito este filme”, disse Collins à Lusa. “A Pixar empenha-se em fazer filmes que parecem que só poderiam ter sido feitos por determinada pessoa num determinado momento”, continuou. “Não me parece que qualquer outro realizador na Pixar tenha a sua voz, e este filme definitivamente tem uma voz, é muito único e refrescante”.
Com a ação colocada em Toronto em 2002, “Estranhamente Vermelho” conta a história de uma adolescente sino-canadiana, Mei Lee, que tem uma personalidade decidida e borbulhante até ser abalroada pelo inÃcio da puberdade. Quando se sente ansiosa e nervosa, transforma-se num panda vermelho gigante — uma imagem que serve de metáfora para o inÃcio da menstruação.
“Situa-se em 2002 porque essa foi a era em que eu cresci, quando tinha 13 anos e a puberdade estava a acontecer-me, por isso senti-me mais confortável a contar a história de uma rapariga que cresce nessa era”, explicou Domee Shi.
Em vez de Instagram e smartphones 5G, as raparigas do filme têm Tamagotchis e leitores de CD e são obcecadas por uma ‘boys band’ chamada 4*Town.
“Sinto que tive sorte porque crescer e ser adolescente é um pesadelo, mas pelo menos não tive de lidar com as redes sociais a tornarem isso ainda mais complicado”, elaborou a realizadora. “Queria focar-me nesse perÃodo nostálgico. Foi a era das ‘boys bands’, da música e cultura pop, e tenho memórias nostálgicas dessa era que queria reavivar no ecrã”.
Shi e Collins consideram que, apesar desta especificidade, “Estranhamente Vermelho” é um filme que apela a uma audiência alargada, seguindo a tradição Pixar. “Muitos animadores e desenhadores nunca foram raparigas sino-canadianas de 13 anos, mas encontraram uma conexão com a estranheza da puberdade”, disse Shi.
“Toda a gente passou por essas mudanças embaraçosas e tem uma vergonha alheia visceral quando, no filme, a mãe dela aparece na escola. Toda a gente tem essa memória dos seus pais a embaraçá-los”.
A produtora Lindsey Collins contou a sua própria experiência com o filho de 17 anos, que a via a trabalhar e espreitava para as imagens no computador por cima do seu ombro.
“Ele ria à s gargalhadas em todas as coisas que se calhar pensarÃamos que só ressoariam com miúdas de 13 anos”, lembrou. “E depois olhava para mim com olhos acusatórios”. A ambição do estúdio em todos os filmes, disse, é que a especificidade dos personagens se torne identificável para toda a gente.
Depois de 36 anos a criar épicas amizades masculinas, de Woody e Buzz a Luca e Alberto, a Pixar decidiu arriscar numa direção diferente. “Estranhamente Vermelho” é a 25.ª longa-metragem do estúdio e estará disponÃvel na plataforma Disney+, além de salas de cinema em mercados selecionados.
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