Novo centro permite a Moçambique duplicar para seis dias alertas prévios de cheias

Maputo, 18 mar 2026 (Lusa) — Moçambique passou hoje a contar com um centro de comando para previsão de cheias, em Maputo, que vai duplicar o período de antecedência de alertas para seis dias, reforçando a proteção de vidas, segundo o Governo.

“Com a melhoria tecnológica e a coordenação, passamos de três para seis dias de aviso prévio, o que cria uma margem real para as comunidades reagirem, os serviços se organizarem e evitar perdas de vidas”, disse o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael.

A infraestrutura foi inaugurada hoje em Maputo pelo Governo, no âmbito de um projeto financiado pela Agência de Cooperação Internacional da Coreia (KOICA), avaliado em cerca de 7,5 milhões de dólares (6,5 milhões de euros).

O ministro Fernando Rafael recordou que o país enfrenta ciclicamente eventos extremos, como cheias, ciclones e secas, com impactos severos, incluindo destruição de infraestruturas, perdas humanas e prejuízos económicos.

“A prevenção não é apenas uma necessidade, mas uma obrigação que devemos cumprir”, disse, acrescentando que a nova sala de comando permitirá transformar dados técnicos em alertas claros e ações concretas.

Segundo o governante, o sistema integra estações de interação entre fenómenos atmosféricos e a água na superfície, modelos de previsão hidrológica e mecanismos de monitorização, permitindo melhorar a resposta institucional e a coordenação entre entidades.

“A sala de comando que hoje inauguramos não é uma sala cosmética para visitas, é um instrumento de gestão e de decisão fiável. É aqui onde dados e modelos se transformam em alertas claros, e alertas claros se transformam em medidas de prevenção e evacuação e proteção de infraestruturas críticas”, afirmou.

O ministro deixou ainda apelos, começando pela necessidade de disciplina operacional permanente, sublinhando que os equipamentos não substituem rotinas, validação de dados e prontidão contínua, devendo a infraestrutura funcionar com rigor mesmo em períodos sem ocorrências relevantes.

Fernando Rafael pediu também a integração efetiva entre a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, o Instituto Nacional de Meteorologia, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco, as Administrações Regionais de Águas, os governos locais e os parceiros técnicos, de forma a operarem como uma cadeia única.

Por outro lado, sublinhou igualmente o investimento contínuo para garantir a sustentabilidade do sistema, considerando que a prevenção custa, mas é significativamente menos onerosa do que a reconstrução após tragédias.

O projeto inclui ainda a instalação de outras duas salas de comando na província de Nampula, no norte de Moçambique, e no distrito de Mocuba, na província da Zambézia, no centro do país, além da aquisição de 14 estações pluviométricas e 10 estações hidrométricas, três radares e nove sirenes.

O embaixador da Coreia do Sul em Moçambique, Bok-won Kang, destacou que o centro de comando representa um passo importante na mitigação dos impactos de desastres naturais e na proteção das populações.

“Servirá como uma rede de segurança de primeira linha, contribuindo para proteger vidas, minimizar danos e permitir respostas rápidas”, afirmou.

O diplomata acrescentou que a iniciativa resulta da partilha de experiência da Coreia em gestão de cheias, esperando que o projeto contribua para reforçar a resiliência climática de Moçambique.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 279, com quase 900 mil pessoas afetadas desde outubro, segundo atualização de 17 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

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