
Oeiras, 10 jul 2022 (Lusa) — Os incêndios que lavram em Portugal continental desde quinta-feira obrigaram a evacuar pelo menos nove aldeias e já terão consumido cerca de 2.500 hectares, disse hoje o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil.
Num balanço feito hoje à s 19:00 na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, André Fernandes disse que no incêndio de Ourém, distrito de Santarém, que deflagrou na quinta-feira e afeta os municÃpios de Ourém, Ferreira do Zêzere e Alvaiázere, foram evacuadas as aldeias da Charneca, Abades, Casal do Rei, Lumiar e Ameixieira.
Já no fogo de Pombal, distrito de Leiria, que começou na sexta-feira em Vale da Pia, e afeta os municÃpios de Pombal, Ansião e Alvaiázere, houve evacuações em Martim Vaqueiro, Ramalheira, Gramatinha e Mato.
No sábado, o responsável explicou tratarem-se de evacuações preventivas, em que os habitantes são retirados por precaução e regressam depois às suas casas.
Questionado pelos jornalistas, André Fernandes adiantou que a área ardida estimada desde quinta-feira, quando começou esta fase de incêndios, e até agora é de “sensivelmente 2.500 hectares”.
“É uma área ardida que está a ser trabalhada e, de facto, o importante agora é conseguir estabilizar os incêndios, conseguir repor a normalidade e a segurança global nestas áreas afetadas e depois far-se-á um levantamento da área ardida e será comunicado”.
O responsável disse ainda que, até às 18:30 de hoje, registaram-se 107 incêndios, menos do que os 125 até à mesma hora de sábado, mas mais do que os 92 de sexta-feira.
“Vemos aqui algum decréscimo e é expectável que hoje consigamos ter menor número de ignições comparativamente com o dia de ontem [sábado]”, afirmou.
A maioria dos incêndios de hoje concentrou-se nos distritos do Porto, com 34, de Lisboa, com 13, e de Braga, com oito.
O responsável acrescentou que hoje registou-se um ferido grave — um bombeiro que sofreu uma queda no incêndio de Ansião e fez uma fratura exposta num pulso.
Além desse ferido, as autoridades contabilizam, desde sexta-feira, 15 feridos ligeiros e 35 assistidos entre os operacionais, enquanto outros 17 civis foram igualmente assistidos.
Na sua mensagem, o comandante nacional reiterou o apelo à prevenção, insistindo que “todos os cuidados devem ser reforçados” para se prevenir incêndios, nomeadamente não fazendo fogo e não usando máquinas.
André Fernandes manifestou ainda “apreço por todos os profissionais das diferentes forças que estão envolvidas” no combate à s chamas, lembrando que as condições meteorológicas são adversas “não só para o combate, mas para a condição do próprio combatente” e sublinhando que as autoridades têm feito “um esforço grande” no apoio logÃstico e sanitário aos combatentes.
O comandante nacional transmitiu também uma mensagem “acima de tudo, aos operacionais” para garantirem as condições de segurança e evitarem acidentes no combate aos incêndios.
“As condições do fogo de facto são extremas, a sua progressão é rapidÃssima, a intensidade também”, disse, apelando à população para se resguardar e afastar das áreas afetadas por incêndios.
No sábado, o ministro da Administração Interna anunciou que o Governo decidiu declarar a situação de contingência entre segunda e sexta-feira, permitindo que a Proteção Civil mobilize “todos os meios de que o paÃs dispõe” para combater os incêndios num perÃodo em que se preveem temperaturas superiores a 45° em alguns pontos do paÃs.
Até à meia-noite, o território de Portugal continental está em situação de alerta, decretada na sexta-feira, o nÃvel mais baixo de resposta a situações de catástrofes prevista na Lei de Base da Proteção Civil.
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