
Maputo, 12 mar 2026 (Lusa) – A cidade de Maputo regista desde a manhã de hoje novas cheias, que condicionam a circulação em várias zonas da capital moçambicana, devido às fortes chuvas, pela segunda vez em menos de uma semana.
A situação afeta sobretudo a zona baixa da cidade, onde também decorrem várias obras nas infraestruturas de saneamento e escoamento de água, com carros imobilizados, estradas submersas, lama e pessoas a tentarem atravessar lençóis de água.
Enquanto isso, as viaturas de menor dimensão evitam circular nessas zonas, pela altura das águas. As cheias registam-se igualmente nos subúrbios, condicionando o transporte público para o centro de Maputo, situação provocada pela forte chuva que se regista desde a tarde de quarta-feira.
O mau tempo já tinha deixado no sábado várias ruas do centro da capital moçambicana completamente inundadas, árvores caídas e estruturas publicitárias tombadas, cortando a circulação em diferentes artérias, sobretudo da baixa.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano tem lançado nos últimos dias vários alertas de chuvas e ventos fortes sobretudo no sul do país, incluindo Maputo.
Moçambique é considerado um dos países mais afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
Ao responder a perguntas dos deputados, na Assembleia da República, em Maputo, a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi, alertou hoje que “os eventos climáticos extremos são fenómenos cada vez mais intensos e cíclicos” no país, defendendo “o compromisso e a determinação do Governo” para “mitigar os seus impactos nefastos no tecido social e económico”.
Em concreto, disse, para tornar Moçambique “mais resiliente aos efeitos dos eventos climáticos extremos”, o Governo pretende reforçar o sistema de aviso prévio e a “capacidade de prontidão e de resposta aos desastres naturais”.
Também fazer a “expansão das atividades de mapeamento das zonas de risco de ocorrência de calamidades naturais”, complementando com o reassentamento das populações em zonas seguras, além da construção de infraestruturas resilientes às mudanças climáticas e reabilitação e construção de barragens, represas, diques, sistemas de drenagem para “melhor gestão dos recursos hídricos”.
“A realização destas e de outras ações irá contribuir, por um lado, para que os parcos recursos de que dispomos não sejam utilizados de forma recorrente na reabilitação e ou reconstrução das mesmas infraestruturas que são destruídas sempre que ocorrem desastres naturais e, por outro, direcionar estes fundos para novos programas de projetos de desenvolvimento económico e social”, disse.
Avançou que nas últimas 24 horas as chuvas provocaram inundações em 518 habitações no distrito de Manjacaze, província de Gaza, igualmente no sul do país, bem como danos em escolas e centros de saúde e a destruição de 2.732 hectares de culturas agrícolas.
Ainda na província de Gaza, há cinco postos administrativos “isolados”, ao mesmo tempo que na província de Inhambane, também no sul, 71 casas foram inundadas e 306 hectares de culturas afetadas, além de “pontes submersas e vias intransitáveis em vários distritos”.
“Já foram mobilizadas equipas multissetoriais para prestar assistência humanitária e proceder à avaliação dos danos. Apelamos de forma reiterada à população que vive em locais propensos a cheias de inundações, sobretudo nas planícies e bacias dos rios, a acatar as orientações das instituições competentes, por forma a prevenir a perda de vidas humanas e de bens materiais”, disse Levi.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende até ao momento a 270, com quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 724.131 pessoas.
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