
Lima, 10 dez 2022 (Lusa) — A primeira mulher Presidente do Peru, Dina Boluarte, admitiu a possibilidade de antecipar as eleições, numa altura em que a justiça peruana aceitou analisar um pedido de libertação do chefe de Estado deposto, Pedro Castillo.
Em declarações à imprensa, Boluarte disse que a Constituição especifica que a sua responsabilidade como lÃder do Executivo é “até 2026”, para concluir o mandato de Castillo, eleito no ano passado, com ela como vice-presidente.
Ainda assim, a advogada de 60 anos acrescentou: “se a sociedade e a situação assim o justificarem, vamos antecipar as eleições; em conversa com as forças democráticas e polÃticas do Congresso, vamo-nos sentar para conversar”.
Vários polÃticos têm defendido eleições antecipadas, incluindo o governador da região de Cusco, Jean Paul Benavente, que defendeu que esta seria uma “solução para a crise polÃtica do paÃs”.
Depois de tomar posse, Boluarte pediu uma trégua aos deputados que destituiram Castillo por “incapacidade moral permanente”, uma cláusula da Constituição que os especialistas dizem ser tão vaga que permite a queda de um Presidente por quase qualquer motivo.
A mesma cláusula também foi usada para derrubar o Presidente MartÃn Vizcarra, que governou de 2018 a 2020. O Peru teve seis presidentes nos últimos seis anos.
Também na sexta-feira, a justiça peruana aceitou analisar o pedido de habeas corpus interposto pelo advogado de Pedro Castillo, pedindo a libertação imediata do antigo presidente, que está em prisão preventiva por uma semana, acusado pelo Ministério Público dos crimes de “rebelião” e “conspiração”, por ter tentado destituir o Parlamento e convocar novas eleições.
Segundo o jornal peruana ‘La República’, o advogado defendeu que Castillo foi detido “irregular e ilegalmente”, pois não há provas de que o presidente deposto tenha usado armas, tendo-se limitado a ler um discurso.
O Terceiro JuÃzo Constitucional da capital, Lima, decidiu admitir a ação contra o Ministério Público, ao contrário do Segundo JuÃzo Constitucional, que na quinta-feira rejeitou um pedido inicial de habeas corpus.
Nas ruas, pequenas manifestações de apoiantes de Castillo continuam a decorrer na capital e em outras partes do Peru, incluindo Tacabamba, a capital distrital mais próxima da casa rural de Castillo. Os manifestantes exigiam que o lÃder deposto saÃsse em liberdade, rejeitaram Boluarte como Presidente e pediram o encerramento do Congresso.
Em Lima, os manifestantes que tentaram chegar ao edifÃcio do Congresso entraram em confronto com a polÃcia, que usou bastões e gás lacrimogéneo para os suster.
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