
Bruxelas, 08 nov 2021 (Lusa) — A União Europeia (UE) considerou hoje que as eleições de domingo na Nicarágua foram o último passo para a conversão do paÃs “num regime autocrático”, pelas mãos do Presidente Daniel Ortega.
“As eleições de 07 de novembro completam a conversão da Nicarágua num regime autocrático”, segundo um comunicado do chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.
O Presidente “Daniel Ortega eliminou toda a concorrência eleitoral credÃvel, privando o povo nicaraguense do seu direito de eleger livremente os seus representantes”, salientou o Alto Representante da UE para a PolÃtica Externa.
Na mesma nota, Borrell adiantou que o regime de Manágua “não só privou o povo da Nicarágua do direito civil e polÃtico de votar numa eleição credÃvel, inclusiva, justa e transparente, como também ficou aquém dos seus próprios compromissos em matéria de direitos humanos e liberdades fundamentais ao abrigo da Constituição da Nicarágua, da Carta Democrática Interamericana e dos pactos internacionais de que o paÃs é parte”.
Para a UE, “a integridade do processo eleitoral foi esmagada pelo encarceramento sistemático, pelo assédio e intimidação dos pré-candidatos presidenciais, lÃderes da oposição, lÃderes estudantis e rurais, jornalistas, defensores dos direitos humanos e representantes empresariais”.
“O povo nicaraguense foi privado da sua liberdade de expressão, associação e reunião pacÃfica. Vozes discordantes são silenciadas, dezenas de organizações da sociedade civil foram banidas, e a repressão do Estado é implacável”, denunciou ainda a UE, reiterando o apelo ao fim da repressão no paÃs.
O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, foi reeleito para um quinto mandato (quarto consecutivo) de cinco anos, com 74,99% dos votos nas eleições de domingo, segundo os primeiros resultados parciais oficiais hoje divulgados.
Os resultados parciais são baseados na contagem de votos em 49% das mesas, de acordo com o tribunal eleitoral, que adianta ter-se registado uma participação de 65,34%.
Um observatório próximo da oposição, o Urnas Abertas, avançou, no entanto, que a abstenção chegou aos 81,5%, com base em dados de 1.450 observadores não autorizados presentes em 563 assembleias de voto, durante esta eleição presidencial qualificada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, como “uma comédia”.
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