
Manágua, 25 abr 2022 (Lusa) — O governo da Nicarágua anunciou no domingo que irá abandonar a Organização dos Estados Americanos (OEA) de forma imediata, expulsar os funcionários e encerrar os escritórios da organização no paÃs.
“A partir deste dia, estamos a abandonar todos os mecanismos enganosos desse monstro, sejam eles a comissão permanente, comissões, reuniões, e a Cúpula das Américas”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nicarágua, Denis Moncada.
Num comunicado, o diplomata acusou a OEA, com sede em Washington, de ser um “instrumento diabólico” de “intervenção e dominação” do Departamento de Estado “do imperialismo norte-americano”.
“Este infame organismo não terá mais escritórios no nosso paÃs. A sua sede local foi encerrada”, acrescentou Moncada.
O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, destituiu em março o ex-jornalista Arturo McFields como embaixador do paÃs na OEA, um dia depois do diplomata ter denunciado uma “ditadura” no seu paÃs.
Arturo McFields disse durante uma reunião ‘online’ da OEA que falava em nome de “mais de 177 prisioneiros polÃticos e mais de 350 pessoas que perderam as suas vidas no paÃs desde 2018”.
Ao mesmo tempo, admitiu ter medo de falar contra o governo de Ortega, mas que “tinha de falar” mesmo que o seu futuro e o da sua famÃlia “seja agora incerto”.
“Denunciar a ditadura do meu paÃs não é fácil, mas manter o silêncio e defender o indefensável é impossÃvel”, apontou McFields.
A Assembleia Geral da OEA votou para condenar as eleições de 07 de novembro que deram a Ortega um quarto mandato consecutivo, dizendo que elas “não foram livres, justas ou transparentes e carecem de legitimidade democrática”.
O governo da Nicarágua já tinha expulsado em março um dos responsáveis da missão do Comité Internacional da Cruz Vermelha no paÃs, Thomas Ess, que tinha criado um escritório para monitorizar “presos polÃticos”.
O número de opositores nicaraguenses detidos, principalmente desde a crise de 2018, aumentou para 181 até março, revela um relatório de uma organização não-governamental (ONG) divulgado a 05 de abril pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Os “presos polÃticos” são opositores, crÃticos de Ortega ou profissionais independentes, normalmente acusados de terrorismo, crimes económicos ou traição ao paÃs, incluindo sete polÃticos que tinham demonstrado interesse em disputar as eleições com Ortega.
A Nicarágua vive uma crise polÃtica e social desde abril de 2018, que se acentuou após as polémicas eleições nas quais Ortega foi reeleito para o seu quinto mandato – quarto consecutivo e segundo juntamente com a esposa, Rosario Murilo – como vice-presidente, e os seus principais opositores na prisão.
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