
Jerusalém, 09 dez 2022 (Lusa) — O primeiro-ministro designado israelita, Benjamin Netanyahu, pediu ao Presidente, Isaac Herzog, uma extensão de duas semanas do prazo inicialmente estabelecido para formar um governo de coligação.
O pedido foi entregue na quinta-feira à noite, três dias antes do final do primeiro prazo, de 28 dias, que termina no domingo.
“Ainda há questões não resolvidas” em relação à s nomeações, reconheceu Netanyahu, numa carta ao Presidente de Israel, divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro designado.
“Estamos no meio de negociações e avançámos muito, mas, a julgar pelo ritmo das coisas, precisarei de todos os dias de prolongamento previstos na lei para formar um governo”, acrescentou.
O bloco de direita e os aliados ultraortodoxos e de extrema-direita obtiveram a maioria nas eleições parlamentares israelitas de 01 de novembro, com 64 lugares em 120, permitindo assim a Netanyahu iniciar negociações para formar um governo.
Na semana passada, o partido Likud de Netanyahu assinou acordos de coligação com os três partidos de extrema-direita — Sionismo Religioso, Força Judaica e Noam — que conseguiram eleger deputados.
Mas, para formar governo, Netanyahu teve ainda que chegar a acordo com dois partidos ultraortodoxos, o JudaÃsmo Unido da Torah (UJT, da comunidade ashkenazi) e o Shass (sefarditas), o segundo mais votado.
Depois de concluir um acordo na quarta-feira com a UJT sobre a divisão de cargos, o Likud anunciou, na quinta-feira, um acordo de princÃpio com o Shass, no âmbito do qual a formação ultraortodoxa vai receber cinco pastas ministeriais.
O anúncio de quinta-feira prevê que o lÃder do Shass, Arieh Dery, seja “ministro da Saúde e do Interior durante a primeira parte do mandato do governo e depois ministro das Finanças”, além de ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro.
Mas, para isso, o Likud tem primeiro de mudar a lei que proÃbe a nomeação para altos cargos de pessoas condenadas por crimes considerados graves.
Condenado em 1999 a três anos de prisão por fraude, Arieh Dery foi acusado novamente de fugir aos impostos em 2021, tendo feito um acordo com a justiça. Reeleito em novembro, Dery pode, por lei, sentar-se no Parlamento, mas não pode ser nomeado como ministro.
Nas delicadas negociações em curso, Netanyahu foi forçado a ceder pastas sensÃveis a figuras controversas.
O Likud aceitou nomear como ministro da Segurança Nacional o polémico Itamar Ben Gvir, conhecido pela retórica contra a Palestina, e chegou ainda a acordo com o ultranacionalista Avi Maoz, que tem reiteradamente tomado posições contra a comunidade LGBTQ.
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