
Jerusalém, 22 jan 2023 (Lusa) — O primeiro-ministro de Israel destituiu hoje o rabino ultraortodoxo Aryeh Deri de ministro do Interior e da Saúde, na sequência da decisão do Supremo Tribunal que ordenou a sua saÃda do Governo devido a múltiplas condenações por corrupção.
“Com grande pesar no coração, com grande pena, que me vejo obrigado a destituÃ-lo do seu posto como ministro”, afirma uma carta assinada por Netanyahu, difundida depois da reunião semanal do Conselho de Ministros, na qual prometeu encontrar a “fórmula legal” para continuar a servir o Estado de Israel.
O Supremo Tribunal de Israel decidiu, na quarta-feira, anular as nomeações ministeriais de Deri, lÃder do partido ultraortodoxo Shas, por considerar que eram “extremamente irracionais” e que a sua última condenação por fraude fiscal, em fevereiro do ano passado, o incapacita de fazer parte do Governo.
No sábado, dezenas de milhares de israelitas manifestaram-se em Telavive em protesto contra os planos do novo Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para reformar o sistema judicial, medidas que a oposição diz ameaçarem os fundamentos democráticos do paÃs.
De acordo com a comunicação social israelita, que cita a polÃcia, cerca de 100.000 pessoas saÃram à s ruas.
Na semana passada, outra manifestação juntou dezenas de milhares de pessoas em protestos contra Netanyahu e o seu Governo, o mais à direita na história israelita, constituÃdo por ultranacionalistas e ultraortodoxos.
O Governo considera que um desequilÃbrio de poder deu demasiada influência aos juÃzes e conselheiros jurÃdicos do Governo no processo de elaboração de leis e na própria governação.
Não obstante os protestos e as crÃticas da oposição, Netanyahu mantém-se determinado a prosseguir com a reforma.
À pressão das manifestações sobre Netanyahu, juntou-se esta quinta-feira a justiça do paÃs, com o Procurador-Geral israelita — na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal na véspera – a pedir-lhe que despedisse do Governo um aliado-chave, Aryeh Deri.
No inÃcio desta semana, Netanyahu, que está a ser julgado por corrupção, prometeu continuar com os planos de reforma da Justiça, apesar dos protestos.
Os opositores consideram que as eventuais mudanças podem vir a ajudar Netanyahu a escapar a uma condenação no processo por corrupção que enfrenta, ou a fazer desaparecer por completo o caso do tribunal.
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