
Jerusalém, Israel, 25 mai 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje o aumento da intensidade da ofensiva militar no LÃbano contra o grupo xiita Hezbollah, numa fase em que Estados Unidos tentam concluir um acordo de paz entre os dois paÃses.
“Não estamos a abrandar o ritmo. Pelo contrário, pedi aceleração”, declarou o chefe do Governo numa declaração em vÃdeo nas redes sociais, na qual acrescentou: “Intensificaremos os ataques, aumentaremos a sua potência e esmagaremos o Hezbollah”.
A declaração de Netanyahu surge em pleno cessar-fogo, acordado no mês passado com as autoridades de Beirute e que o Hezbollah não reconhece, no âmbito das conversações de paz israelo-libanesas promovidas por Washington, igualmente contestadas pelo grupo apoiado pelo Irão.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, considerou hoje porém que Israel tem o direito à defesa dos ataques aéreos do Hezbollah, referindo-se aos próprios termos da trégua entre os dois paÃses.
Benjamin Netanyahu frisou, no vÃdeo hoje divulgado, que Israel está “em guerra com o Hezbollah” e que, nas últimas semanas, os militares israelitas eliminaram mais de 600 elementos do grupo xiita libanês.
“Estão a atacar-nos com drones, drones com tecnologia cibernética, e temos uma equipa especializada a trabalhar nisso — e vamos resolver isso também”, avisou o primeiro-ministro.
Anteriormente, meios de comunicação israelitas já tinham noticiado que os Estados Unidos poderiam autorizar uma operação militar mais ampla no LÃbano, no seguimento dos últimos ataques do Hezbollah contra o norte de Israel e de uma conversa telefónica no domingo entre Netanyahu e o Presidente norte-americano, Donald Trump.
O lÃder israelita encontra-se sob pressão da ala radical do seu Governo, que hoje defendeu o aumento das operações no LÃbano.
Em comunicado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, instou o chefe do Governo a retomar “uma guerra em grande escala” contra o LÃbano, além de cortar o fornecimento de eletricidade no paÃs vizinho e aumentar a ocupação militar até cerca de 40 quilómetros a partir da fronteira.
O ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich, outra figura de relevo da extrema-direita israelita, afirmou pelo seu lado que, por cada drone disparado pelo grupo xiita libanês Hezbollah contra Israel, “deverão cair dez edifÃcios em Beirute”.
Também o lÃder da oposição israelita, Yair Lapid, considerou hoje ser “inaceitável que os soldados e civis israelitas (…) continuem debaixo de fogo” no LÃbano.
 “Ou há um cessar-fogo, ou responderemos com força desproporcional a cada ataque contra nós”, defendeu em declarações aos jornalistas, num momento em que a polÃtica interna de Israel se agita face à aproximação de eleições, previstas para outubro, embora estejam em curso iniciativas legislativas para serem antecipadas.
As negociações de paz no LÃbano estão ligadas à s conversações indiretas entre Estados Unidos e Irão sobre o conflito iniciado em 28 de fevereiro pela ofensiva aérea israelo-americana contra República Islâmica.
Depois de Trump ter anunciado um acordo próximo com o Irão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Teerão, Esmail Baghaei, afastou hoje um entendimento iminente e reiterou que um eventual compromisso deve envolver todo o Médio Oriente, incluindo o LÃbano.
O LÃbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no inÃcio de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do paÃs vizinho durante o conflito anterior.
Desde 02 de março, mais de 3.100 pessoas foram mortas e quase dez mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o inÃcio do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.Â
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