
Bidur, Nepal, 31 ago 2026 (Lusa) – O Nepal enterra hoje vÃtimas da inundação devastadora ocorrida na fronteira com a China, sem esperar pela identificação de cadáveres nem pelo fim das operações de socorro, devido à magnitude do desastre.
Mais de três mil pessoas, incluindo estrangeiros, continuam desaparecidas de ambos os lados da fronteira, nesta região dos Himalaias, isolada e muito procurada por alpinistas e peregrinos. A catástrofe já causou cerca de 800 mortos e danos consideráveis.
As equipas de socorro trabalham incansavelmente, em condições perigosas e apesar dos riscos causados por uma nova subida das águas, na esperança, em particular, de salvar cerca de uma centena de trabalhadores bloqueados num túnel, escreveu a agência de notÃcias France-Presse (AFP).
Mas cinco dias depois, a esperança de encontrar sobreviventes no mar de lama e detritos que devastou aldeias inteiras vai-se desvanecendo.
FamÃlias e pessoas próximas dos desaparecidos acorrem aos hospitais e morgues na tentativa de encontrar sobreviventes, nomeadamente em Bharatpur, no sul do Nepal, onde imagens de cadáveres são exibidas num ecrã.
A força das águas levou cerca de 250 cadáveres até á área de Chitwan, a mais de cem quilómetros a jusante do local da catástrofe.
Shobha Adhikary está convencida que o corpo sem vida deitado junto a um rio é de um amigo de infância. “Parece-se com ele”, afirma a um voluntário. Mas só uma identificação por ADN permitirá confirmar a identidade da vÃtima, adverte o voluntário.
Um trabalho longo e difÃcil realizado sob pressão do tempo: no domingo, por razões sanitárias, as autoridades nepalesas começaram a enterrar vÃtimas sem sequer esperar pela identificação dos corpos, por motivos de saúde pública.
Estes enterros ocorrem após a recolha de uma amostra de ADN, precisaram as autoridades, e têm caráter provisório para as vÃtimas de confissão hindu. Isto permitirá que as famÃlias, após a identificação formal, exumem os corpos e procedem à cremação, conforme manda a tradição.
“Foram recuperados muitos corpos e estes começaram a decompor-se”, justificou o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Amrit Bahadur Rai.
Entre as causas, destacam-se: infraestruturas insuficientes face ao número de corpos. Como a morgue de Bharatpur só tem capacidade para cerca de vinte, as autoridades tiveram de armazenar os cadáveres em instalações com ar condicionado da associação de comerciantes.
Em Devghat, na mesma região, onde foram enterradas vÃtimas ainda não identificadas, a polÃcia colocou números nos locais de sepultamento, de acordo com imagens da AFP. Várias dezenas estavam armazenados e prontos a serem utilizados.
Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades nepalesas e chinesas continuam sem notÃcias de mais de três mil outras — 2.502 no Nepal e 546 na China —, entre as quais centenas de estrangeiros.
O trabalho das equipas de salvamento está ameaçado por uma nova catástrofe: no lado chinês, os socorristas que intervêm no Tibete foram “transferidos para um local seguro” após a formação de um novo lago de barragem, provocado por um deslizamento de terra, segundo meios de comunicação estatais.
No Nepal, as autoridades apelaram à prudência devido ao aumento do caudal do rio Bhotekoshi, no zona de Rasuwa (norte).
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