
Katmandu, 30 ago 2026 (Lusa) — O Nepal alertou hoje para a subida do nÃvel da água na bacia do rio Bhote Koshi, onde uma enxurrada causou na quarta-feira quase 700 mortos, no paÃs e na vizinha região do Tibete.
“De acordo com o Departamento de PolÃcia do Distrito de Rasuwa, o caudal do rio Bhote Koshi aumentou”, afirmou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA, na sigla em inglês).
“Assim, todo o pessoal envolvido nas operações de busca, salvamento e socorro, as pessoas nas zonas ribeirinhas e todas as outras pessoas nas zonas afetadas, incluindo Rasuwa, Nuwakot, Dhading e Chitwan, é aconselhado a tomar precauções”, disse a NDRRMA.
No entanto, num comunicado divulgado na manhã de hoje, a agência governamental indicou que atualmente não existe o risco de “grandes inundações”.
Tanto o Nepal como a China continuam os esforços de resgate contra o tempo para localizar pessoas presas pela enxurrada e começaram a enterrar corpos não identificados.
A sobrelotação das morgues e a rápida decomposição dos corpos retirados dos rios obrigaram as autoridades locais, como no distrito de Nawalparasi East (Nawalpur), a iniciar a recolha em massa de amostras de ADN antes de enterrar corpos não identificados ou irreconhecÃveis em áreas florestais comunitárias.
As equipas de resgate, que já assistiram mais de 7.500 pessoas, continuam a tentar localizar os que ficaram presos na lama e os que ficaram isolados depois de pontes e estradas terem sido levadas pela enxurrada.
Pelo menos 691 pessoas morreram e mais de três mil permanecem desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal.
Pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros, na sequência da enxurrada de quarta-feira, anunciou hoje a emissora estatal chinesa CCTV.
A lista, divulgada pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Segurança Pública, da Cultura e do Turismo e da Gestão de Emergências da China, inclui um cidadão português.
A contagem representa mais nove mortes e menos oito desaparecidos do que o balanço anterior divulgado pelas autoridades chinesas.
No sábado à noite, a autoridade nepalesa responsável pela gestão de emergências anunciou que registava 675 mortos e 2.498 desaparecidos, incluindo mais de 500 estrangeiros.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa tinha referenciado seis portugueses desaparecidos no Nepal, mas três foram entretanto encontrados com vida.
Também hoje, as autoridades chinesas identificaram a causa do desastre, confirmando as avaliações dos cientistas.
Os especialistas “concluÃram que por volta das 10:52 [cerca das 06:00 em Lisboa] do dia 26 de agosto, um glaciar na encosta sul do Pico Lirung, no Nepal”, entrou em colapso, desencadeando uma avalanche de gelo e rochas, informou a agência de notÃcias oficial chinesa Xinhua.
Uma equipa de especialistas da Academia Chinesa de Ciências disse que a estabilidade do glaciar foi afetada por um “perÃodo prolongado de aquecimento climático global”.
O mais recente catálogo nacional de glaciares da China, publicado em 2025, estimou que a extensão dos glaciares na China diminuiu 26% desde a década de 1960, com recuos de até 40% em algumas áreas dos Himalaias e da Trans-Himalaia.
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