
Roma, 30 abr 2026 (Lusa) — As embarcações da flotilha humanitária com destino a Gaza que não foram intercetadas pelas forças israelitas em águas internacionais estavam hoje ancoradas a sul da ilha grega de Creta, de forma a avaliar os próximos passos da iniciativa.
Na noite de quarta-feira, o exército israelita surpreendeu a Flotilha ‘Global Sumud’ quando esta chegava às águas gregas, a 1.200 quilómetros do destino final, a Faixa de Gaza.
O resultado foi a interceção de 22 dos 58 navios de vários países que compunham a missão e a detenção de 175 ativistas de diferentes nacionalidades, segundo números atualizados citados pela agência espanhola EFE.
Vinte e seis navios da flotilha que conseguiram escapar da incursão noturna do exército israelita estão ancorados a sul da Grécia, segundo o radar instalado pela organização da iniciativa. Outras dez embarcações navegam na zona da interceção.
Entre estes está o navio de ajuda humanitária da Greenpeace, o “Arctic Sunrise”, enquanto a organização não-governamental (ONG) espanhola Open Arms tem a sua embarcação a oeste da ilha grega.
Os ativistas a bordo destas embarcações estão a avaliar como proceder após a interpelação israelita e alguns procuram outros navios que foram atacados durante a noite e com os quais não conseguiram contactar, segundo fontes da delegação italiana que integra a iniciativa.
As mesmas fontes indicaram particular preocupação com o paradeiro de alguns barcos cujos motores o exército israelita teria danificado e deixado à deriva, como o “Tamtam”, que tinha sete pessoas a bordo.
A flotilha partiu no passado domingo do porto italiano de Augusta (sul) com o objetivo de atravessar o Mediterrâneo e chegar à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária à população palestiniana.
Após a incursão das forças israelitas, estão a ser organizadas manifestações em várias cidades, incluindo Roma, onde foi convocada uma concentração para as 18:00 locais (17:00 em Lisboa), em frente ao Coliseu, em apoio à flotilha.
Uma das vozes internacionais que já falou sobre o assunto foi a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que condenou hoje a apreensão de embarcações da flotilha ‘Global Sumud’ por forças israelitas em águas internacionais e exigiu “a libertação imediata de todos os italianos detidos ilegalmente”.
“O Governo italiano condena a apreensão das embarcações da flotilha ‘Global Sumud’, ocorrida ontem [quarta-feira] à noite em águas internacionais ao largo da costa grega, e solicita ao Governo de Israel a libertação imediata de todos os italianos detidos ilegalmente, o pleno respeito pelo direito internacional e garantias quanto à integridade física das pessoas a bordo”, indicou um comunicado divulgado pelo Palácio Chigi, sede do executivo italiano.
No mesmo comunicado, divulgado após uma reunião de Meloni com os ministros dos Negócios Estrangeiros (e vice-primeiro-ministro), Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto, “para debater os desenvolvimentos” relativos à interceção das embarcações por forças israelitas, o Governo italiano afirmou que “reitera o seu compromisso de continuar a fornecer ajuda humanitária a Gaza”, no âmbito da “cooperação e no respeito pelo direito internacional”.
Desde o frágil cessar-fogo que entrou em vigor em outubro passado na Faixa de Gaza, o exército israelita controla mais de metade do pequeno território palestiniano costeiro, onde o acesso à ajuda humanitária continua a ser amplamente restringido.
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