Navio-tanque de bandeira moçambicana atacado em águas iranianas

Maputo, 25 jul 2026 (Lusa) — Um navio-tanque de gás de petróleo liquefeito (GPL) de bandeira moçambicana foi atacado em águas territoriais iranianas, mas os 28 tripulantes indianos que se encontravam a bordo estão em segurança, indicou a Embaixada da Índia em Teerão.

Em nota a que a Lusa teve acesso, a representação diplomática indiana refere que o navio DISHA (IMO 8818219) “foi alvo de um ataque em águas territoriais iranianas” na sexta-feira.

Acrescenta que a embarcação tem 28 tripulantes indianos a bordo e que mantém contacto próximo com as “autoridades competentes” e confirmou que todos se encontram em segurança.

O DISHA é um navio-tanque de GPL de bandeira moçambicana, construído em 1990, com 230 metros de comprimento e capacidade para transportar cerca de 50 mil toneladas de carga. É utilizado para transportar GPL (gás de petróleo liquefeito), um combustível amplamente utilizado em cozinhas domésticas, na indústria e na produção de energia.

A representação diplomática não avançou detalhes sobre as circunstâncias do ataque, a natureza dos danos sofridos pela embarcação ou a eventual existência de outros tripulantes de diferentes nacionalidades.

“A Embaixada continua a acompanhar a situação de perto e mantém contacto com as autoridades envolvidas”, refere ainda o comunicado.

Também não foram divulgadas informações sobre os autores do ataque nem sobre o local exato do incidente.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos apelou hoje à retirada de cerca de seis mil marinheiros retidos no estreito de Ormuz, enquanto prossegue a ofensiva norte-americana contra o Irão e várias embarcações estão bloqueadas na zona.

“Apelo a todos os Estados e às partes envolvidas para que garantam urgentemente a proteção dos marinheiros retidos, o que inclui assegurar o acesso efetivo à assistência consular, aos abastecimentos e serviços essenciais, bem como facilitar os processos de retirada e de repatriamento”, afirmou a porta-voz de Volker Turk, Shabia Mantoo, numa conferência de imprensa em Genebra, Suíça.

O recrudescimento dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão nas últimas semanas ditou o fracasso do memorando de entendimento que tinham negociado em junho, sob mediação do Paquistão.

O Comando Central dos Estados Unidos da América afirmou que os mais recentes bombardeamentos sobre várias regiões iranianas foram concebidos para “degradar ainda mais a capacidade do Irão de ameaçar os marinheiros civis e os navios comerciais que transitam pelas águas regionais”.

As autoridades norte-americanas querem pressionar o regime de Teerão de forma a retomar a livre navegação no estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transitava um quinto do petróleo e gás mundial em tempo de paz.

Em retaliação aos mais recentes ataques norte-americanos, Teerão tem atacado países aliados dos Estados Unidos na região, como é o caso do Kuwait, Bahrein e Jordânia.

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