NATO: Rutte espera planos para atingir 5% do PIB em defesa até 2035

Ancara, 06 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, manifestou hoje confiança de que os aliados apresentarão, na cimeira de Ancara, planos “claros, concretos e credíveis” para investir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa até 2035.

“Nesta cimeira espero que os países apresentem planos claros, concretos e credíveis para atingir a meta dos 5%. E os dados que vemos até agora são impressionantes”, afirmou Rutte, numa conferência de imprensa realizada na véspera da reunião dos chefes de Estado e de Governo da Aliança.

Segundo o secretário-geral da Aliança Atlântica, apenas um ano após o compromisso assumido pelos aliados na cimeira de Haia, os países europeus e o Canadá já investem, em média, cerca de 4% do PIB em defesa e segurança.

Rutte recordou ainda que os aliados europeus e o Canadá aumentaram em quase 20% as despesas com defesa no último ano e que, somando os investimentos adicionais previstos para 2025 e 2026, o reforço ascende a 258 mil milhões de dólares (cerca de 200 mil milhões de euros).

“Não é sustentável pedirmos a um país com 350 milhões de habitantes, situado a oito horas de voo daqui, que defenda 600 milhões de pessoas que vivem nesta parte do território da NATO, a mais rica do mundo”, afirmou Rutte, defendendo que a Europa está a assumir uma responsabilidade crescente pela sua defesa convencional.

O primeiro dia da cimeira será dedicado ao Fórum Industrial de Defesa da NATO, durante o qual, segundo Rutte, deverão ser anunciados contratos no valor de dezenas de milhares de milhões de euros para reforçar as capacidades militares da Aliança.

“O investimento existe. Agora temos de garantir que estamos a transformar o nosso poder económico em capacidades militares”, afirmou o líder da NATO, defendendo uma maior integração da indústria de defesa e a redução da burocracia para acelerar a produção de equipamento militar.

A guerra na Ucrânia será outro dos principais temas da cimeira.

Rutte explicou que os aliados deverão confirmar um compromisso de cerca de 140 mil milhões de euros em apoio militar a Kiev ao longo de dois anos, recorrendo maioritariamente a verbas já anteriormente aprovadas.

O líder da Aliança Atlântica alertou ainda para a necessidade de a NATO manter atenção ao papel da China no contexto da segurança global, defendendo uma estreita cooperação com parceiros do Indo-Pacífico, como Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Japão.

“Não podemos ser ingénuos em relação à China”, afirmou Rutte, lembrando que Pequim, juntamente com a Coreia do Norte e o Irão, continua a apoiar o esforço de guerra da Rússia na Ucrânia.

 

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