
Bruxelas, 17 nov 2025 (Lusa) — O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, pediu hoje para se aguardar a investigação das autoridades da Polónia à sabotagem de uma linha ferroviária usada para enviar ajuda e armamento para a Ucrânia.
“Estamos em contacto estreito com as autoridades polacas, num contacto intenso sobre este assunto”, afirmou Rutte numa conferência de imprensa na sede da NATO, em Bruxelas, após uma reunião com o Presidente finlandês, Alexander Stubb.
Rutte disse ser necessário aguardar “os resultados da investigação” em curso, sem querer nomear suspeitos do ataque à s infraestruturas polacas, segundo a agência de notÃcias espanhola Europa Press.
A sabotagem foi denunciada pelo primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, que disse tratar-se de um ato sem precedentes.
“Infelizmente, os piores receios confirmaram-se”, disse Tusk num comunicado, depois de os serviços de segurança terem confirmado que os danos causados na linha ferroviária foram provocados por uma explosão.
“Um artefacto explosivo detonou e destruiu a via. Os serviços de emergência e o Ministério Público trabalham no local”, afirmou Tusk, depois de ter visitado o local do incidente em Mika, 100 quilómetros a sudeste de Varsóvia.
Tusk disse que “também foram comunicados danos na mesma linha, mais perto de Lublin”, próximo da fronteira com a Ucrânia.
O ataque “atenta diretamente contra a segurança do Estado polaco e dos seus cidadãos”, afirmou o chefe do Governo do paÃs da NATO e da União Europeia (UE).
Desde o inÃcio da invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, a Polónia tornou-se o principal centro de ajuda militar e humanitária ao vizinho ucraniano.
Utilizada diariamente por 115 comboios diferentes, a linha atacada “é também de importância crucial para o transporte de ajuda à Ucrânia”, incluindo armamento, segundo Tusk.
O ataque “teve provavelmente como objetivo fazer descarrilar um comboio”, o que foi evitado por um maquinista que detetou os danos e deu o alarme, disse o primeiro-ministro, citado pela agência de notÃcias France-Presse (AFP).
Ninguém ficou ferido, segundo as autoridades.
O ministro do Interior polaco, Maciej Kierwinski, disse que as autoridades encontraram no local o fragmento de um cabo usado na explosão.
“Vamos apanhar os culpados, independentemente de quem os mandou” executar o ataque, prometeu Tusk.
Numa conferência de imprensa em Varsóvia, o ministro dos Serviços Especiais polaco, Tomasz Siemoniak, relacionou os incidentes com ataques “dirigidos aos paÃses que apoiam a Ucrânia contra a agressão da Rússia”.
Siemoniak explicou que a Polónia enfrenta atos de sabotagem executados “por encomenda de serviços estrangeiros” desde janeiro de 2024.
Referiu que, até agora, 55 pessoas foram detidas por planear ou executar ato de sabotagem, algumas das quais seguindo instruções de Moscovo.
O ministro da Justiça e procurador-geral do Estado, Waldemar Zurek, classificou as sabotagens como parte da “guerra hÃbrida” entre a Polónia e o “vizinho oriental”, referindo-se à Rússia.
O ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, disse que os militares vão inspecionar os 120 quilómetros do troço Varsóvia-Lublin-Hrubieszów, que liga a capital polaca à Ucrânia, noticiou a agência norte-americana Associated Press (AP).
O chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiga, expressou “solidariedade com a amiga Polónia” e prometeu a ajuda ucraniana na investigação em curso “se necessário”.
Sybiga admitiu tratar-se de “mais um ataque hÃbrido da Rússia para testar as reações”.
Em Bruxelas, na conferência de imprensa com o chefe da NATO, o Presidente da Finlândia pediu que se reaja “ao estilo finlandês”.
“Significa não só manter a calma, mas também mostrar determinação e perseverança para não reagir de forma exagerada a qualquer coisa que aconteça porque, infelizmente, esta é a nova normalidade”, afirmou.
“O que a Rússia está a tentar fazer é desestabilizar as nossas sociedades através de campanhas informativas e de outro tipo”, acrescentou Stubb.
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