
Campo de lava de Lambahraun, Islândia, 14 ago (Lusa) — A NASA prepara em campos de lava na Islândia a próxima missão a Marte, prevista para 2020, para dar continuação ao trabalho do robô “Curiosity”, que desde 2012 explora o planeta em busca de sinais de vida.
Junto ao Langjokull, o segundo maior glaciar da Islândia, na região oeste da ilha, o campo de lava de Lambahraun foi durante três semanas de julho o local de trabalho de uma quinzena de cientistas e engenheiros enviados pela Agência Espacial Norte-Americana.
A ilha vulcânica do meio do Atlântico Norte tem caracterÃsticas a fazer lembrar o planeta vermelho, com a sua areia preta de basalto, as dunas moldadas pelo vento, as rochas negras e os cumes das montanhas à volta.
“Temos exatamente o tipo de padrões e transporte de matérias que os cientistas querem ver”, disse no local um responsável dos Serviços Espaciais de Controlo da Missão, Adam Deslauriers, de uma empresa do Canadá contratada pela NASA para testar um protótipo de veÃculo espacial.
Trata-se de um pequeno veÃculo elétrico, branco e cor de laranja, com tração nas quatro rodas e acionado por dois motores laterais, que funciona como uma retroescavadora e que tem 12 pequenas baterias no interior. Basicamente “é indestrutÃvel” disse Deslauriers, citado hoje pela AFP.
Equipado com sensores 3D, um computador, uma câmara com duas objetivas e instrumentos cientÃficos, os 570 quilos do equipamento movem-se por controlo remoto a 20 centÃmetros por segundo.
O veÃculo recolhe e classifica dados do ambiente à sua volta graças à s câmaras e envia-os para a equipa de engenheiros que estão a várias centenas de metros, que por sua vez os transmitem aos cientistas que estão confinados numa tenda. Tudo para simular o envio de informações de Marte para a Terra.
Os investigadores vão depois até ao local do veÃculo robô para medir a radiação e recolher amostras, coisa que o protótipo só conseguirá fazer na versão final.
Os locais de treino são escolhidos tendo em conta a forma como a areia e as rochas mudam tanto na composição quÃmica quanto nas propriedades fÃsicas à medida que se mudam do glaciar para o rio vizinho.
Antes de Marte se tornar um deserto congelado e inóspito, onde a temperatura média ronda os 63 graus negativos, os cientistas admitem que se pareceria muito com a ilha.
“A mineralogia na Islândia é muito similar à que encontrámos em Marte”, disse Ryan Ewing, professor de geologia e geofÃsica na Universidade do Texas, Estados Unidos.
A Islândia já serviu de cenário para outros exercÃcios da NASA, nomeadamente por ocasião de missões da Apollo (missão que levou o homem à Lusa), quando 32 astronautas fizeram formação na ilha, em 1965 e 1967.
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