“Não tinha intenção” de ficar a dirigir a Lusa além dos 70 anos – Luísa Meireles

Lisboa, 22 out 2026 (Lusa) – A ex-diretora de informação da Lusa afirmou hoje que não tinha intenção de ficar a dirigir a Lusa além dos 70 anos e que a entrada dos dois novos administradores resultou numa mudança na dinâmica.

“Faço anos a 23 de novembro, não tinha intenção de ficar para além de 70 anos a dirigir a Lusa, de modo nenhum”, disse Luísa Meireles, que também é presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito do requerimento dos grupos parlamentares do Livre, PS e PCP.

De acordo com a lei, “tinha 20 dias para comunicar”, já que a 23 de novembro “o meu contrato transformar-se-ia num contrato a prazo”, sublinhou a jornalista, que contou como decorreu o seu processo de saída da agência de notícias.

Luísa Meireles, que saiu da empresa em 12 de outubro, salientou que o que precipitou a saída foram as declarações do presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, no parlamento, repetindo que assistiu a um “despedimento em direto”.

Desde a tomada da nova administração da Lusa, que integra dois novos elementos – Luís Ferreira Lopes e Ana Alves -, houve “um avolumar de de situações”, disse.

“Um dos administradores ficou com a pasta da direção de informação e é uma pessoa com vontade de saber tudo e ter uma participação ativa”, referiu, salientando que a direção de informação é uma ponte para a redação e uma barreira para administração. Ou seja, a comunicação da administração deve feita através da direção de informação.

A situação começou a ficar “estranha a partir” do momento em que são pedidos à direção de informação contributos, os quais são feitos, mas tudo ficava na mesma, dando o exemplo da estratégia de podcast ou sobre o audiovisual.

Sucederam-se casos “deste tipo de ausência de resposta”, apontou, referindo ainda os casos da abertura da delegação de Évora e a contratação de uma jornalista em Bruxelas.

“Tornou-se numa relação de facto custosa”, admitiu Luísa Meireles.

Já em relação ao “elemento que se mantém” na administração, o presidente Joaquim Carreira, com quem conviveu durante cinco anos “tranquilamente”, refere que “houve uma mudança de dinâmica” com a entrada de duas novas pessoas e “uma grande tentativa e vontade de falar diretamente com as pessoas, ter esse contacto direto, coisa que explicámos que a administração fala com a redação pela direção”, salientou.

Luísa Meireles disse que houve “efetivamente” uma barreira que foi transposta e o diretor-adjunto, Nuno Simas, referiu que a direção discordou da metodologia sobre a escolha de uma pessoa para a redação em Bruxelas.

Na audição, que durou mais de uma hora e meia, Luísa Meireles salientou que assinou o acordo de rescisão e que apenas discutiu a data de saída, referindo que quando lhe foi proposto abandonar a empresa e perguntou para quando, a resposta tinha sido “para já”.

A ex-diretora de informação disse ainda que nunca sentiu ingerência política: “Não houve qualquer condicionamento político”.

Quanto aos Estatutos da Lusa, a ex-diretora considerou que deveria estar plasmada a garantia da independência e da autonomia da direção de informação.

Sobre o concurso para a delegação de Bruxelas, defendeu que havia outra jornalista que “preenchia melhor” do que aquela que tinha sido indicada.

Luísa Meireles deixou a direção de informação da agência de notícias em 12 de outubro, depois de ter aceitado uma proposta de saída feita pelo Conselho de Administração, e os diretores adjuntos da Lusa, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, aceitaram assumir a direção interina da agência até 31 de outubro, a pedido do Conselho de Administração.

“Quando aceitámos o convite, o pedido da administração foi para assumir interinamente a direção, deixámos claro e por escrito que o faríamos, tomando apenas as decisões imprescindíveis e necessárias ao bom funcionamento da redação”, afirmou, por sua vez, a diretora-adjunta, Maria de Deus Rodrigues.

Questionado sobre se sabiam quem iria assumir a direção de informação da Lusa, tanto Nuno Simas como Maria de Deus Rodrigues afirmaram desconhecer.

Sobre o clima de confiança na Lusa, Nuno Simas disse que este começou a “degradar-se no dia em que o Conselho de Administração fez a denúncia do Acordo de Empresa” e que para o repor dependerá do que “for feito”.

ALU (PYR) // JNM

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