
Valência, Espanha, 04 abr 2026 (Lusa) — Uma nanopartÃcula desenvolvida na Universidade Politécnica de Valência pode abrir um novo caminho no tratamento contra o cancro, ao restaurar a comunicação entre células tumorais e imunitárias.
O estudo, publicado na revista cientÃfica Advanced Materials, nota que ao ser possÃvel restaurar a comunicação entre células imunitárias (glóbulos brancos) e as tumorais, permite à s primeiras reconhecerem e eliminarem as células tumorais, afirmou hoje a Universidade de Valência, em comunicado citado pela agência de notÃcias espanhola Efe.
Essa comunicação entre células é geralmente perdida nos tumores, devido a mecanismos de evasão imunológica, com esta nanopartÃcula desenvolvida em Valência a abrir uma nova via de tratamento contra o cancro, explicou.
Esta nanopartÃcula desenvolvida pela equipa liderada pelo investigador Ramón MartÃnez Máñez é inspirada nos anticorpos biespecÃficos, ferramenta de imunoterapia usada para tumores relacionados com o sangue e sistema linfático, mas que apresenta desvantagens como um processo de produção complexo, eficácia limitada e efeitos colaterais adversos.
Ao invés desses anticorpos, a nanopartÃcula agora desenvolvida é de fácil produção, adapta-se a vários tipos de cancro e tem uma vida útil mais longa no organismo, permitindo uma maior eficácia nos tumores e menor risco de efeitos colaterais, afirmou a Universidade Politécnica de Valência.
Estas nanopartÃculas, com duas faces que possuem propriedades fÃsicas ou quÃmicas diferentes (tal como os anticorpos biespecÃficos), conseguem permanecer na célula tumoral e exibir a sua outra face aos glóbulos brancos, atuando como uma ponte que facilita a morte da célula cancerÃgena.
“Essa eficácia superior pode ser atribuÃda à sua capacidade de restaurar a comunicação entre o sistema imunológico e o tumor”, explicou o investigador Ramón MartÃnez Máñez.
De acordo com a equipa de investigação, embora o estudo se tenha concentrado em melanomas metastáticos, a tecnologia poderá ser facilmente adaptada a outro tipo de tumores sólidos ou hematológicos (relacionados com o sangue, medula e sistema linfático).
A equipa da Universidade Politécnica de Valência está a trabalhar na validação da tecnologia para o tratamento de tumores sólidos mais complexos, em que a imunoterapia apresenta resultados limitados.
“Estas nanopartÃculas exibem maior estabilidade e capacidade de se concentrarem em áreas tumorais, e espera-se que alcancem bons resultados nos tumores mais desafiantes”, explicaram os investigadores.
De acordo com a Universidade, além da ponte que estabelece entre células, a nanopartÃcula também pode carregar fármacos, combinando diferentes estratégias de terapêutica num único sistema.
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