
São Paulo, 02 dez 2022 (Lusa) – O Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial pediu hoje ao Brasil mais esforços para proteger as comunidades afro-brasileiras e indÃgenas.
No relatório de suas últimas revisões periódicas no Brasil, o comité alertou que a exploração dos recursos naturais dessas comunidades, por meio de extração ilegal de madeira, desflorestamento e mineração ilegal, constitui uma invasão dos territórios onde vivem essas minorias.
Para acabar com essa situação, o comité pediu à s autoridades brasileiras que ponham fim aos retrocessos nas questões legais sobre desflorestamento e proteção das comunidades indÃgenas e promulgue um novo plano nacional cuja elaboração envolve os membros das comunidades afetadas.
Além disso, o órgão exigiu o fim da violência contra os povos indÃgenas e quilombolas (descendentes de africanos escravizados), especialmente contra as mulheres dessas comunidades e solicitou investigações exaustivas de todos os incidentes ocorridos até ao momento.
A comissão lamentou que o processo de demarcação dos territórios indÃgenas, cuja resolução estava prevista para 2017, esteja paralisado desde 2016 e destacou sua preocupação com os direitos das comunidades indÃgenas Munduruku e Yanomami e com a situação do quilombo de Alcântara.
Entre suas observações, o comité das Nações Unidas também condenou os ataques sofridos por alguns ativistas afro-brasileiros e indÃgenas, que em alguns casos foram assassinados, bem como o corte de fundos para o programa de proteção de ativistas de direitos humanos, comunicadores e ativistas do meio ambiente no Brasil.
O ógão também focou no aumento da violência polÃtica sofrida por minorias raciais, especialmente contra mulheres negras pertencentes a coletivos LGBTIQ+.
Para enfrentar essa situação, o comité recomendou que as autoridades aumentem o percentual de representação dessas minorias em todos os nÃveis polÃticos do paÃs.
Além disso, o órgão pediu garantias de segurança e dignidade para as mulheres que desejam fazer aborto, bem como o fim do assédio e da criminalização contra os profissionais médicos que as atendem.
O relatório também observa que salários baixos ou não pagos atingem duramente as mulheres pertencentes a minorias, que trabalham em casa e passam fome em 65% dos casos.
Segundo dados do comité, a má nutrição atinge 28,6% das crianças indÃgenas menores de 5 anos.
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