
Lisboa, 08 jan 2026 (Lusa) – A Associação Mutualista Montepio Geral confirmou hoje que o mandato de Pedro Leitão como presidente do Banco Montepio não será renovado, em resposta enviada à Lusa.
Na quarta-feira, o jornal ‘online’ Eco noticiou que a mutualista não reconduzirá Pedro Leitão e quer José Azevedo Pereira (antigo diretor do fisco e ex-presidente do EuroBic) na liderança do banco, um dia depois de o presidente da mutualista (dona do banco), Virgílio Lima, ter recusado dizer aos jornalistas se manterá ou não Pedro Leitão como presidente executivo.
A Lusa questionou de novo a Associação Mutualista que hoje respondeu que irá apresentar uma proposta para o novo mandato dos órgãos sociais (2026-2029) e que essa proposta “contemplará renovação, mas também continuidade entre os atuais membros”.
A mutualista não torna públicos os nomes pretendidos, pois alega que a proposta tem de seguir os “trâmites próprios” (designadamente junto dos reguladores) e não pode “nesta fase ser tornada pública”, mas confirma que Pedro Leitão não continuará como presidente executivo ainda que reconhecendo o “trabalho realizado”.
“Ainda que o atual presidente da Comissão Executiva não integre a composição futura dos órgãos sociais, o Montepio Geral Associação Mutualista reconhece o trabalho realizado e os resultados obtidos pela equipa que cessará funções após a próxima Assembleia Geral e que contribuíram para o reforço da solidez do Banco Montepio”, lê-se na nota.
Na terça-feira, na tomada de posse para novo mandato, o presidente da Associação Mutualista Montepio Geral recusou dizer aos jornalistas se manterá ou não Pedro Leitão como presidente do banco (o mandato terminou em final de 2025) e considerou que foi feito trabalho importante, mas ainda há áreas a melhorar.
Já sobre se a casa-mãe está satisfeita com o trabalho feito pelo Banco Montepio, Virgílio Lima disse que houve trabalho importante feito, mas que há também melhorias ainda a fazer.
“Há trabalho importante, de evolução em diferentes domínios na atividade do banco, que se reconhece e cumprimenta com muito apreço. E há áreas onde se pode melhorar e desenvolver, é um balanço que será feito no momento próprio”, afirmou.
Em novembro, em entrevista à Lusa, Virgílio Lima tinha dito que espera que o Banco Montepio pague mais dividendos à mutualista (sua dona) nos próximos anos.
“Tem ainda um potencial de remuneração maior. Desde 2012 que não havia dividendos. Há dois anos tivemos os primeiros dividendos, o ano passado também. Na medida em que o banco também tem um melhor desempenho, é natural que os dividendos vão subindo. Face ao capital investido, temos expectativas de um maior volume de dividendos no futuro próximo e de forma crescente”, afirmou.
Em 2024, o Banco Montepio pagou 6,0 milhões de euros de dividendos.
Sobre os lucros do banco (109,9 milhões de euros em 2024), o gestou considerou na entrevista à Lusa que este começou mais tarde do que outros a sua transformação e reestruturação pelo que a rentabilidade deverá ainda melhorar: “O banco está a fazer essa convergência para o nível de rendibilidade médio do setor”, disse.
A Associação Mutualista Montepio Geral – com mais de 600 mil associados – é o topo do grupo Montepio e tem várias empresas, incluindo seguradoras e o Banco Montepio.
A mutualista teve lucros de 210 milhões de euros em 2024, mais 87,5% face a 2023.
Esta quarta-feira, o líder da oposição na Associação Mutualista Montepio, Tiago Mota Saraiva, defendeu à Lusa que decisões como o perfil do novo presidente executivo do banco devem ser debatidas na assembleia de representantes da entidade.
Este órgão, onde se debatem e são votados os documentos fundamentais da mutualista Montepio (como orçamento e plano de atividades), é composto por 30 membros eleitos por método proporcional. Atualmente, há 19 membros ligados à gestão, sendo o primeiro nome o padre Vítor Melícias, e 11 elementos ligados à oposição, com o arquiteto Tiago Mota Saraiva à cabeça.
IM (ALN)// JNM
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