
Lisboa, 23 out 2025 (Lusa) — O museu do Centro Cultural de Belém (CCB) vai celebrar o segundo aniversário a partir de sexta-feira com a inauguração da exposição “Avenida 211”, e entrada gratuita em atividades durante o fim de semana.
A exposição, a inaugurar à s 21:00 de sexta-feira, é dedicada ao icónico edifÃcio da Avenida da Liberdade, em Lisboa, que “foi um espaço fervilhante de atividade artÃstica no coração” da capital, entre 2006 e 2014, como afirma a curadoria da mostra, da responsabilidade da diretora do Museu de Arte Contemporânea do CCB (MAC/CCB), Nuria Enguita, e da curadora Marta Mestre.
Mais de quatro dezenas de artistas e músicos de diferentes gerações estabeleceram espaços de trabalho nesse local durante aquele perÃodo, onde o engenheiro, artista plástico e dinamizador António Bolota tinha o seu próprio ateliê.
Bolota também gerou e dinamizou vários projetos curatoriais, lembra a investigação de Giorgia Casara e Sara De Chiara para esta exposição, num texto divulgado pelo museu.
“Este contexto foi fundamental para a vitalidade da cena artÃstica lisboeta, num perÃodo que acompanhou tanto a crise financeira global (2008–2009), como a crise da dÃvida de Portugal e a intervenção da troika (2010–2014) — ambas pontos de viragem de uma acentuada financeirização da cidade, como tem vindo a ser descrita por vários cientistas sociais”, evoca o MAC/CCB sobre a exposição que ficará patente até 05 de abril de 2026.
Projeto considerado “irrepetÃvel” no coração da capital portuguesa, que contribuiria para mudar o panorama da arte contemporânea, ocupou quatro pisos de um prédio por onde passaram dezenas de artistas, músicos, projetos curatoriais e diferentes gerações de criadores.
“Antes de se afirmar definitivamente como sinónimo de luxo, a artéria via surgir um espaço de resistência, dedicado à experimentação e à interdisciplinaridade, em fervilhante espÃrito colaborativo, tornando acessÃvel a produção artÃstica”, sublinha o museu a propósito da exposição que reunirá 60 dos nomes que passaram pelo edifÃcio.
A mostra — com arquitetura de André Maranha e design de Sofia Gonçalves – forma um “arquivo vivo”, a partir da recolha dos testemunhos e obras dos participantes, “não para cristalizar o passado mas para continuar a inspirar e interrogar o presente”.
Na sexta-feira, após a inauguração da exposição, haverá uma performance do coletivo Osso Exótico e um DJ set com curadoria de Filho Único.
No sábado, o público é convidado a participar em atividades e visitas guiadas às exposições, assim como nas propostas Pontos de Encontros e Museu Construtor de Mapeamentos.
Haverá ainda a visita-oficina “À procura da leveza”, sujeita a inscrição prévia.
O último dia, domingo, inclui atividades para famÃlias com crianças entre os dois e os quatro anos, sessões de Pontos de Encontros e Museu Construtor de Mapeamentos, e visitas à s exposições.
O programa de celebração encerra com uma visita à exposição Experiências do Mundo, conduzida por Nuria Enguita, e uma leitura pública de Raccord, de Mattia Denisse, por Maria João Falcão.
O espaço museológico, que tem à sua guarda a Coleção Berardo, acolhe ainda no seu acervo obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), a Coleção Ellipse, adquirida pelo Estado, e a Coleção Teixeira de Freitas, deixada em depósito pelo colecionador.
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