
Maputo, 20 jan 2026 (Lusa) — Os municÃpios moçambicanos alertaram para “muitos prejuÃzos” decorrentes das cheias que estão a afetar todo o paÃs que causaram um impacto “muito grande”, pedindo financiamento para responder aos efeitos das chuvas.
“Foi um dos piores momentos que aconteceu com os municÃpios, alguns tiveram muitos prejuÃzos e se já somos municipios carentes imagino agora como vai estar nesses municÃpios”, referiu, em Maputo, o presidente da Associação Nacional dos MunicÃpios de Moçambique (ANAM), João Ferreira, em conferência de imprensa.
O representante dos municÃpios moçambicanos considerou “prematuro” avançar dados em valor dos prejuÃzos causados, até porque “ainda está a acontecer”, frisando ser “muito difÃcil” de momento ter um valor real.
O responsável alertou também que é momento de as autarquias começarem a incentivar construções em sÃtios altos para evitar os mesmos problemas de futuro.
“Acho que chegou o momento de nós todos construirmos algo, não só para nós, mas para os nossos filhos, para os nossos netos, e quando estamos a fazer a nossa construção, vamos fazer em sÃtios bons, vai sempre haver um problema de um ou outro de cheias, mas não sistemático”, apelou o dirigente, que está numa campanha, através da plataforma ‘SOS’, de mobilização de fundos para apoiar os municÃpios afetados.
A ANAM, uma organização composta por todos os 65 municÃpios do paÃs, manifestou ainda solidariedade com os afetados, acrescentando que a plataforma contém informações de todos os municÃpios afetados e dos devidos centros de acolhimento, com os nomes dos munÃcipes acolhidos, para facilitar a localização pelos familiares.
O último balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) aponta para 165.841 hectares de área agrÃcola afetados, dos quais 73.695 hectares dados como perdidos, afetando 111.535 agricultores, além da morte de 38.770 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
Segundo INGD, o total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidas, além de 99 pessoas feridas, acrescentando que, foram afetadas, desde outubro até ao momento 645.781 pessoas, equivalente a 122.863 famÃlias, com 11.233 casas parcialmente destruÃdas e 4.883 totalmente destruÃdas, agravando o balanço anterior.
O Governo moçambicano estima que 40% da provÃncia de Gaza está submersa, devido à s fortes cheias dos últimos dias, e que vários distritos de Maputo estão inundados, com as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, intransitáveis, devido à subida das águas, além da total destruição de, pelo menos, 152 quilómetros de estradas nacionais.
Ações e tentativas de resgate de centenas de famÃlias sitiadas pelas cheias continuam, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos paÃses vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, seis helicópteros e quatro aeronaves.
VIYS(PME) // ANP
Lusa/Fim



