Mundial 2026: REPORTAGEM: Cabo Verde veste-se com as cores nacionais para estreia histórica no Mundial

Praia, 13 jun 2026 (Lusa) — Bandeiras, murais, artigos da seleção e espaços para ver a estreia na TV multiplicam-se em Cabo Verde, antes do jogo com Espanha, na segunda-feira, refletindo o entusiasmo dos adeptos pela primeira participação do país num Mundial.

“Energia positiva, sou cabo-verdiana 100%, tenho de apostar em nós”, afirma Elly Pereira, 30 anos, funcionária de uma loja de acessórios para automóveis em Achada Santo António, enquanto ajudava a colocar uma grande bandeira nacional à entrada do estabelecimento.

A poucos dias do primeiro jogo dos Tubarões Azuis, a capital cabo-verdiana veste-se de azul, vermelho e branco, cores de fundo da bandeira com dez estrelas amarelas, uma por cada ilha.

Nas varandas das casas, em lojas, bares e automóveis multiplicam-se bandeiras nacionais, enquanto dezenas de pessoas procuram camisolas, cachecóis e outros artigos relacionados com a seleção.

Na Rua da Arte, Terra Branca, artistas locais dão os últimos retoques em murais inspirados na participação histórica de Cabo Verde na maior competição do futebol mundial.

“A nossa inspiração foi a nossa seleção, que nos levou pela primeira vez ao maior palco do futebol. Temos esperança numa boa exibição”, disse o artista plástico Etson Garcia, 38 anos.

Um dos murais inclui um jogador a cantar o hino, lado a lado com um tubarão, espécie protegida das águas do arquipélago.

“Este mural ficou bonito. Muitas pessoas vêm cá tirar fotografias e fazer vídeos. É uma grande homenagem à nossa seleção”, afirmou Eller Santos, barbeiro, de 27 anos.

Aquela zona da capital, à semelhança de tantas outras, vai também acolher a transmissão dos jogos da seleção.

Cabo Verde vai enfrentar ainda, no grupo H, as seleções do Uruguai (21 de junho) e Arábia Saudita (26 de junho).

“Aqui, na Rua de Arte, haverá uma tela gigante e todas as pessoas estão convidadas a assistir”, acrescentou.

Bandeirolas nacionais decoram a rua e até os contentores do lixo foram pintados com motivos ligados a Cabo Verde.

Também no comércio já se sente o efeito do Mundial.

No mercado de Sucupira, o maior da capital, Fátima Cabral, vendedora, de 51 anos, disse que a procura aumentou nos últimos dias e o que mais se vende “é a bandeira”.

Vítor Semedo, comerciante, de 28 anos, confirmou a tendência, mas só tem pena que o seu fornecedor não tenha trazido mais camisolas: “esperamos tornar a receber antes de segunda-feira”, até porque também há “europeus e outros africanos que vivem aqui” e procuram vestir as cores da seleção.

Na Rua Pedonal, no Plateau, centro histórico, a procura é tanta que poucos comerciantes têm tempo para falar, ocupados a atender clientes interessados em camisolas, panos e outros artigos alusivos à seleção nacional.

Carlos Lopes, 23 anos, funcionário de uma loja da zona, disse que o aumento da procura é evidente.

“Aumentou mesmo, até demais. O que as pessoas mais procuram é um pano onde está escrito ‘Cabo Verde na Copa'”, afirmou.

Além das ruas e do comércio, os preparativos decorrem também nos espaços de transmissão pública dos jogos.

Em Achadinha, o proprietário João Alfredo, de 52 anos, já decorou o estabelecimento com bandeiras nacionais e prepara-se para receber adeptos.

O entusiasmo estende-se também a outros concelhos.

Na Cidade Velha, a Câmara da Ribeira Grande — berço da nação — anunciou a instalação de um ecrã gigante no Largo do Pelourinho para a transmissão da partida entre Cabo Verde e Espanha, acompanhada de música, animação e serviços de restauração.

Na Praça Center, Palmarejo, na cidade da Praia, decorrem os preparativos para instalar uma bancada destinada aos adeptos que irão acompanhar os jogos, numa iniciativa dos comerciantes locais.

“Já temos quase tudo pronto. O nosso relvado está praticamente concluído e a bancada também”, afirmou Marcelino Carvalho, DJ, de 56 anos, e um dos responsáveis pela animação do espaço.

Segundo o organizador, a estrutura tem capacidade para cerca de 200 pessoas sentadas e funcionará durante toda a competição.

“Nos dias dos jogos de Cabo Verde teremos várias atividades. Mesmo que Cabo Verde não passe, estaremos cá a fazer festa”, garantiu, acrescentando que além da transmissão dos jogos, estão previstas atuações musicais.

Questionado sobre as expectativas para a estreia frente à Espanha, Marcelino Carvalho resumiu o sentimento que parece dominar a cidade.

“O jogo é um bocado ingrato, mas esperamos um bom resultado. Temos 1% de chance e 99% de fé”, concluiu.

*** Kivia Rodrigues (texto) e Elton Monteiro (foto), da agência Lusa ***

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