
DÃli, 29 mar 2026 (Lusa) — As mulheres timorenses desempenham um papel central na resolução de conflitos e na construção da paz, mas o seu protagonismo, por ser informal, não é reconhecido, segundo um estudo realizado pela Fundação Mahein.
O estudo demonstra que a “construção da paz em Timor-Leste não se limita à s instituições formais, estando profundamente enraizada na vida social e económica quotidiana, com as mulheres a desempenharem um papel crÃtico, mas subvalorizado, na manutenção da paz e da estabilidade ao nÃvel comunitário”.
A organização não-governamental timorense analisou o papel das mulheres na resolução de conflitos ao nÃvel comunitário com base em entrevistas realizadas nos municÃpios de DÃli e de Bobonaro.
“O estudo conclui que as mulheres em Timor-Leste desempenham um papel central, embora largamente informal e, por isso, não reconhecido, na resolução de conflitos e na construção da paz, atuando sobretudo através de estruturas familiares e redes sociais”, pode ler-se no documento.
Segundo a Fundação Mahein, a contribuição das mulheres para a resolução de conflitos pode ser “preventiva e reativa” e combina a “mediação em momentos de conflito com esforços sustentados para abordar causas subjacentes, como o stress financeiro e a dependência económica”.
“Um aspeto fundamental é que a influência das mulheres é frequentemente relacional, indireta e deliberadamente discreta”, destaca-se no estudo.
Segundo o documento, as mulheres privilegiam o diálogo interpessoal em vez de recorrerem a mecanismos formais, como a polÃcia ou as autoridades locais, e que dão prioridade a “abordagens que preservam a harmonia social e evitam a escalada dos conflitos”.
“Estas práticas são altamente eficazes nos contextos locais, particularmente na gestão de disputas sensÃveis, em que a exposição pública pode gerar danos adicionais”, salienta-se.
A Fundação Mahein destaca, por outro lado, que o papel das mulheres continua limitado por normas patriarcais.
“Isto dá origem a uma forma de ‘poder oculto’ que é central para a estabilidade comunitária, mas está amplamente ausente dos quadros polÃticos e institucionais. Os resultados sugerem ainda que estas práticas informais refletem dinâmicas históricas e sociais mais amplas”, sublinha a organização não-governamental.
No estudo destaca-se também que a capacidade de as mulheres contribuÃrem para a resolução de conflitos e construção da paz “varia consoante o conhecimento, capacidade económica e influência social”.
A Fundação Mahein recomenda a investigação e o reconhecimento da construção da paz informal, bem como o reforço e a adaptação dos mecanismos comunitários para passarem a refletir os papéis das mulheres.
No âmbito do estudo, é recomendado também o aumento dos apoios económicos às mulheres como estratégia de construção da paz e o reforço da sensibilização pública em matéria de igualdade de género através de abordagens contextualizadas.
“Programas que promovam o acesso das mulheres ao crédito, à literacia financeira e a atividades geradoras de rendimento devem ser entendidos não apenas como intervenções de desenvolvimento, mas também como investimentos na construção da paz e na segurança de longo prazo”, acrescenta-se.
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