
Luanda, 12 dez 2023 (Lusa) — O MPLA, partido no poder em Angola, assegurou hoje que não tem problemas com filhos de ninguém, quando questionado sobre a reconciliação com as filhas de José Eduardo dos Santos, e mostrou-se confiante na vitória eleitoral em 2027.
O MPLA poderá “eventualmente, ter problemas em relação ao comportamento de alguns militantes ou ex-militantes seus. Todos nós no MPLA somos militantes iguais perante aos estatutos e todos nós temos regras iguais para cumprir”, disse o secretário para a Informação do Bureau PolÃtico do partido, Rui Falcão, questionado sobre as filhas do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
“Se somos filhos destes ou daquele aqui não há escudo, aqui cada um vale por si e só o comportamento é que determina o maior ou menor engajamento seu com os demais militantes, não temos esse tipo de problema e nunca analisamos isso”, frisou o responsável do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder.
Isabel dos Santos, envolvida em vários processos judiciais, e WelwÃtschia “Tchizé” dos Santos, filhas do antigo lÃder do partido e ex-presidente, José Eduardo dos Santos, dizem-se perseguidas pela atual liderança do paÃs e têm expressado descontentamento público face à s ações do Governo e do partido, sobretudo no âmbito do combate à corrupção.
Falando aos jornalistas, no âmbito das celebrações dos 67 anos de fundação do MPLA, assinalados em 10 de dezembro, Rui Falcão disse que o MPLA é um partido unido, que convive com opiniões diferentes, desconhecendo a existência interna de “abelhas ou marimbondos”, imagem associada aos polÃticos envolvidos em corrupção.
“Somos um partido unido, um partido democrático, onde as pessoas têm a liberdade de ter opiniões diferentes e nós já estamos habituados a conviver com isso e não há nenhum laivo hoje de falta de unidade ou de coesão no seio do partido”, assegurou.
Sobre o alegado desgaste do partido para a resolução dos problemas do paÃs, argumento de vários cÃrculos da sociedade civil e de partidos na oposição, Falcão disse já estarem habituados a esta “retórica”, que apenas “fortalece o MPLA”.
“Ainda bem que há esta retórica de alguns, porque foi assim que perderam (as eleições) em 1992, perderam em 2008, em 2012, em 2017, perderam em 2022 e vão perder em 2027”, assegurou referindo-se implicitamente à UNITA, maior partido na oposição.
Em relação ao atual quadro socioeconómico das famÃlias angolanas, marcado pela subida galopante dos produtos da cesta básica, o dirigente do MPLA disse que o partido está preocupado com a situação, referindo que as medidas do executivo, “a seu tempo” vão sentir-se, e que “não há nenhum paÃs do mundo que viva no paraÃso”.
“Nos Estados Unidos da América vai encontrar cidadãos debaixo da ponte, agora mesmo foi dito que em Portugal há 10.000 famÃlias a viver na rua, portanto, cada paÃs tem a sua idiossincrasia, seus problemas e realidade, mas ninguém vive no paraÃso”, argumentou.
Apontou ainda a existência de jornais, rádios e televisões privadas em Angola para refutar a aludida inexistência de liberdade de imprensa e de expressão no paÃs, considerando existirem casos que não devem ser generalizados.
“Não podemos generalizar atos isolados de um agente qualquer, agora que nós temos coisas para corrigir enquanto sociedade, isso temos, mas aqui se um polÃcia tem uma atitude incorreta lê-se de uma maneira, gostaria de ver os mesmos órgãos a falar do que acontece em França, na Inglaterra, em Espanha ou lá o cacete é diferente?”, questionou, referindo-se à s liberdades de reunião e de manifestação.
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